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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

MCM - Modelo Computacional da Mente


Debate ocorrido na lista espiritimo-cientifico

Mauricio:

Uma das dificuldades para qualquer um que pretenda explicar a acentuada "autonomia" entre consciente e inconsciente (que parece ser um consenso) é encontrar uma explicação razoavel de como e porque se dá esse fenomeno. Poderiamos citar: o mediunismo, o animismo, o hipnotismo, a criptmnesia, psi, etc...

Na teoria espirita boa parte dos fenomenos podem ser "resolvidos" pela
introdução de uma (ou mais) entidade exogena, enquanto na psicologia
materialista recorre-se a uma simples classificaçao, ou seja da-se a
alguns desses fenomenos o nome de dissociação da personalidade. Em alguns casos entretanto a dissociação não explica bem alguns fenomenos e muitas vezes não consegue explicar (casos classicos de mediunidade, por exemplo).

E é aí que entra o tal modelo MCM...


Ola Todos,

Sem requerer o merito do ineditismo gostaria de conversar com o grupo
sobre um modelo que chamei de computacional MCM. Penso que esse modelo, apesar de basico, creio resolver muitas das questoes que temos debatido por aqui ja faz algum tempo.

O conceito de Inconciente derivado da teoria espirita, expandido pelo
Herminio Miranda e interpretado por mim (e aqui pode ter alguns problemas).
Tem dois os pontos principais: A diferenciação entre "personalidade"
(alma) e "individualidade" (espirito); e as memórias da vida atual e das vidas pregressas. Para entender esses conceitos sugiro ler o conceito original no livro A memoria e o tempo, ou um resumo no meu trabalho A regressao de memoria ( http://groups.google.com.br/group/Espiritismo-Cientifico/files?hl=pt-BR).

Uma das dificuldades para qualquer um que pretenda explicar a acentuada "autonomia" entre consciente e inconsciente (que parece ser um consenso) é encontrar uma explicação razoavel de como e porque se dá esse fenomeno. Poderiamos citar: o mediunismo, o animismo, o hipnotismo, a criptmnesia, psi, etc...

Na teoria espirita boa parte dos fenomenos podem ser "resolvidos" pela
introdução de uma (ou mais) entidade exogena, enquanto na psicologia
materialista recorre-se a uma simples classificaçao, ou seja da-se a
alguns desses fenomenos o nome de dissociação da personalidade. Em alguns casos entretanto a dissociação não explica bem alguns fenomenos e muitas vezes não consegue explicar (casos classicos de mediunidade, por exemplo).

E é aí que entra o tal modelo MCM... Que na realidade ainda nao o
detalhei; Farei isso durante a minha exposição para o grupo. E
lembre-se de louco todos temos um pouco... eu é que só, nesse quesito,
estou acima da media. :-)


O MCM (Modelo Computacional da Mente) que pretendo apresentar tem por objetivo isolar a mente em blocos funcionais de forma que o fluxo de informação entre eles possa explicar os fenomenos normais e paranormais da psicologia humana.

Veja figura acima.

Conceitos:

Individualidade: O Ser espiritual integral.

Personalidade: A alma humana - A personalidade da vida atual.

Persona: São "pessoas" observaveis ou sentidas pelo "Eu". Normalmente a
persona é a propria personalidade, ou pode ser uma segunda pessoa (como na
mediunidade ou como em casos de dupla-personalidade).


Nos blocos (A) temos os estimulos externo de entrada.

Nos blocos (B) temos as producoes da mente, as personas. Elas podem ser
reais (de longa duração) ou efermeras - "pessoas" como são vistas por um
obervador externo ou auto-percepcao.

Memorias da vida atual.

Memorias de vidas passadas

Personalidades de vidas passadas: Cada personalidade carrega as suas
memorias preteritas associadas.

Gerador de Persona: Motor responsavel pela geração/construção dos diversos
tipos de personas de acordo com os inputs e/ou estimulos externos ou internos à mente.


Exemplo para melhor entender o MCM:

a) Para ser gerado a /persona/ personalidade da vida atual o fluxo de
acordo com MMC seria:

A partir da concepção:
1. Entradas: Instintos, Memorias, e Personalidades anteriores e Influencia ambientais
2. O /Gerador de Persona/ elabora uma complexa persona aqui chamada de
personalidade (persistente)
3. Esta personalidade tem autopercepcao e autoconsciencia - é essa personalidade que se expressa e é reconhecida como uma "pessoa" por observadores externos.

Para ser mais claro, eu - o Mauricio que vos escreve - seria tão
somente uma criação mental - Sem ser de fato a exata representação do
espirito (aqui chamado de Individualidade) - Eu poderia ser
substancialmente diferente dependendo do tamanho das influencias
sofridas por cada das entradas acima.

Vamos montar alguns cenarios:

Mauricio(1) - 10% Institos; 30% Vidas anteriores e 60% Influencias Ambiente
Mauricio(2) - 10% Institos; 40% Vidas anteriores e 50% Influencias Ambiente
Mauricio(3) - 5% Institos; 55% Vidas anteriores e 40% Influencias Ambiente
etc...

Somente,em algum momento apos a morte corporal é que haveria uma
integracao da personalidade com a Individualidade, transformando-se em
patrimonio do espirito.

Na proxima postagem vamos ver como a partir da montagem da
personalidade, explica-se por esse modelo fenomenos como hipnotismo e
animismo.

// COMENTARIOS SERÃO BENVINDOS //

Abraços Seixianos (o maluco beleza)
Mauricio Mendonça


Jorge Teixeira

Oi Maurício, como vai:

Tou achando tua exposição interessante e, até agora, aparentemente
simples. Tanto que decidi complicar um pouquinho pra você, pode ser?

Sabe o Fernando Pessoa? Aquele poeta português que falava coisas do
tipo "morrer é só não ser visto; a morte é a curva na estrada"; pois é.

Ele, como certamente saberá, dividia-se em eterónimos. Alberto
Caeeiro, Ricardo Reis, etc.

Pois bem, como você colocaria esse tipo de caso no seu MCM?

Cá pra nós, e muito a sério, já tenho pensado que Pessoa é a
reencarnação de Camões. Ambos fizeram _ cada um a seu modo _ a
apologia da pátria. Camões, poetizando a serviço do rei; Pessoa,
subtilizando a serviço da sua consciência livre... 500 anos dá pra
qualquer espírito se aplicar e evoluir, não?

Abraços modelísticos computacionantes e mentalísticopoéticos...

Jorge.



Mauricio Mendonca

Ola Jorge,
Finalmente uma alma viva (permita-me o pleonasmo) resolveu comentar os meus devaneios... :-)
Acho perfeitamente possivel tal ligação entre os dois grandes poetas lusitanos... porem eu (ao contrario do Montalvao, que é perito em todas as coisas he he he ...pura provocacao... ) não me sinto capaz de uma analise mais criteriosa.

"Pois bem, como você colocaria esse tipo de caso no seu MCM?"

Em se tratando de pseudonimo, o fluxo se daria no praticamente contexo da personalidade, com evidentemente pequenas influencias de existencias preteritas (e suas memorias)... mas, não chegaria a ser criada uma pois tais "pessoas" não tem auto-percepcao (e individualizacao)... apesar do mecanismo ser basicamente o mesmo - gerador de persona. Nesse caso a personalidade (vida atual) tem o dominio da consciencia, situando-se no tempo e no espaço.

Espero nao ter complicado demais...

Abraços Psicodelicos
Mauricio Mendonça
.

Mauricio Mendonca


complementando...

se sob hipnose, fosse sugerido ao FP que assumisse a personagem X - ai
sim, entraria o processo geraador-de-persona... e naquele momento
poderia ser criado um persona-efemera-imaginaria X. mas
momentaneamente auto-consciente.

ESTOU A FALAR BOBAGENS OU EXISTE ISSO DE FATO?

abç
Mauricio

oi, Maurício. Também não sei, com certeza, se pode aplicar_se teu MCM, PORÉM, PARECE UM ESQUEMA ÚTIL PARA EXPLICAR CONSTRUÇÃO DE PERSONALIDADE ENCARNADA EM LINGUAGEM MATEMÁTICA.Acho que você ta pegando aula lá em cima durante o sono e trazendo esse esquema pra baixo como recordação. Olha, como extenção ao dever de casa que voce ta fazendo pra essa aulinha no plano espiritual, aí vai mais um exercício: Como você aplicaria o modelo à dupla ou trípla personalidade? Abraços espiritomatemáticos!
Ps: você achava que não tinha maluco em portugal?... Ó eu aqui!!!


complementando...


Ola Jorge,
Não sei se tenho tomado tais aulas, mas se for o caso são bem vindas... :-)

Quanto aa sua pergunta, vamos lá...

Sindrome das multiplas-personalidades:
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Aqui temos que levar em conta as duas visões de mundo, a materialista (ou não-sobrevivencialista) e a espirita (ou sobrevivencialista).

Na minha opiniao parcece haver motivos suficientes para concluir que algumas dessas ocorrencias sejam puramente um fenomeno interno (psicologico) relativo aa vida atual. Nesses casos as teorias psicologicas atuais tem uma visao apropriada sobre eles. As causas dessas cisoes são basicamente traumas causadas em tenra idade, chamarei esses traumas de "coagulos mentais" que não estão disponiveis normalmelnte na consciencia da "personalidade" . Os coagulos mentais, são os gatilhos que disparam o processo de criação de uma nova "persona imaginaria", até certo ponto independende da personalidade (apresentando um alto nivel de autonomia e autoconciencia e com algum grau de persistencia). Evidentemente haveria em um grau menor influencias dos outros elementos do bloco A e demais memorias. O tratamento habitualmente atualizado, provocar cartase, como que descongela o "coagulo" através de uma rememoracao e de quebra tras o problema para a consciencia da personalidade onde pode ser racionalizado.

Parece tambem haver casos em que o modelo materialista falha ao explicar: como nos casos de mediunidade ou em alguns de regressao de memoria. Mas isso a gente vai ver nos capitulo apropriados.

Espero ter explicado a contento. Caso precise de mais algum complemento podem perguntar (ou comentar)... só nao garanto ter todas as respostas prontas... quem sabe, depois de uma dormidinha.... :-)

Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça


Mauricio Mendonca

MCM x Hipnotismo e Animismo
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Trataremos nesse capitulo da hipnose e do anismo (quando for uma auto-hipnose)especificamente quando o fenomeno em questao seja o comando hipnotico para que um "sujeito" assuma a personalidade-aparente de alguem conhecido ou invente um de acordo com parametros passados a ele naquele momento.

Temos que considerar ainda que um comando hipnotico deve ser acolhido (aceito) pela mente do "sujeito" - mas parece que esse "de acordo" não é dado pela personalidade - e sim por algum outro nucleo consciente da individualidade (chama-se isso comumente de "inconsciente"). De qualquer forma o fenomeno acontece... e o "sujeito" passa a agir e imagina-se ser a "pessoa" sugerida.

Como aconteceria essa transformacao temporaria de acordo com o MCM?

A partir de acolhida a ordem hiponotica (ou animica) o /gerador de persona/ pega informações de /memorias atuais e de vidas passadas/ e gera uma persona-efemera-imaginaria. Essa persona dura até o final do transe hipnotico/animico, podendo ser "evocada" em momentos posteriores em novo transe.
Esse processo podem explicar alguns dos fenomenos que geralmente se atribui a fenomenos mediunicos. Em reunioes espiritas isso é chamado de animismo.


Perguntas / Duvidas / Comentarios ????

Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça
Pessoal,

não sei se estão considerando uma variável no contexto do Animismo, em uma reunião espírita. Refiro-me ao fato de haver uma auto-hipnose, ou seja, o Medium que sofre o animismo não é hipnotizado por ninguém, a não ser por ele mesmo.

Neste caso, ou existe uma auto-hipnose realizada inconscientemente, ou então, não existe. Se não existe, o agente hipnotizador só pode ser um desencarnado.

Att.
Plínio Ventura

Ola Plinio,

Voce tem razao. Convenha-mos uma reuniao mediunica habitual é um ambiente propicio aa auto-hipnose... ou melhor dizendo aa auto-sugestao.

Mas lembrando, o animismo é a base para o fenomeno mediunico autentico, chegaremos lá, no desenvolvimento do MCM...

Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça

Confuso Montalvao,

Já que insiste, vou fazer um resumo: Possesao é uma obsessao em grau mais elevado.

Isso não significa dizer que o espirito obssessor expulse o inquilino temporariamente. Usando o MCM para explicar, é quando as entradas do bloco A a influencia de (espiritos) seja proxima a 100%...é gerada entao uma persona-efemera-composta que é o que o obeservador pode ver durante esses fenomenos.

Leia Mais…

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pesquisas sobre a sobrevivência da alma

De Mauricio Mendonça
(Publicado no Jornal da FEEC de Novembro de 2009)

O grande momento das experimentações cientificas dos fenômenos mediúnicos deu-se entre meados do século XIX e início do XX. Naquele período, encontramos grandes nomes de pioneiros, incluindo várias figuras da SPR (Society for Psychcal Research), de Londres. Os fenômenos estudados eram, basicamente, os macros, de efeito físico, tais como, materializações, moldes em parafina, voz e escrita diretas etc.
Como andam as pesquisas sobre a sobrevivência da alma, hoje em dia? Será que se confirmam os resultados atingidos por aqueles pesquisadores?


Muitos espíritas consideram que tais "repetições" não são necessárias, pois esses fenômenos já foram devidamente comprovados e repeti-las seria pura perda de tempo e esforço. Outros consideram importante que as pesquisas continuem, até que não haja mais nenhuma dúvida quanto à realidade dos fenômenos. Muitos céticos também acham perda de tempo, pois é "obvio" que não existe nada a ser demonstrado, pois fantasmas não existem.

Forçoso é reconhecer que a realidade de tais fenômenos ainda está longe de ser aceita pela comunidade científica. Quando muito, alguns toleram a idéia; a maioria ignora-a. Ha quem diga que o problema é deles, e que isso se dá por algum tipo de preconceito ou outros motivos menos nobres. Prefiro pensar que nós espíritas é que , não tivemos a devida competência para terminar uma tarefa tão bem executada, a princípio.

E agora? O que fazer? Essa situação ainda poderá ser revertida? Claro, e começa com a conscientização de que temos a responsabilidade de incentivar e produzir pesquisas genuinamente científicas. Um exemplo desse tipo de ação foi a publicação de trabalho acadêmico, que trata de aspectos espirituais, comparando transtornos psicológicos com mediunidade e demonstrando, através de uma pesquisa rigorosa, que a mediunidade, dentro de um contexto espírita, não pode ser encarada como uma psicopatologia, pois ao contrário é uma atividade saudável.

Também poderíamos facilitar que pesquisadores sérios possam ter acesso a possíveis fenômenos, que ocorram nos centros espíritas, ou com médiuns específicos (evidentemente, permitir com critérios bem avaliados). A comunidade espírita também deveria olhar para esse problema, com mais "simpatia", e promover cursos, encontros, palestras, além de espaços como este em jornal tratando sobre temas exclusivamente científicos.

Neste canto, trataremos de pesquisas contemporâneas como as do falecido professor Ian Stevenson, que conseguiu desenvolver uma valiosa pesquisa sobre a reencarnação, estudando casos de crianças no mundo todo, que alegam ter tido outra existência. Essas lembranças, na opinião do autor, sugerem a ocorrência de reencarnação. Há, ainda, as do Prof Gary Schwartz, que desenvolve um interessante trabalho sobre a comunicação mediúnica dentro da universidade, além disso estão em curso, pesquisas sobre EQM (experiência de quase morte) e TCI (transcomunicação instrumental).

Leia Mais…

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Universo como Realidade Virtual

por Mauricio Mendonça, 2005

Essa linha de pensamento é realmente intrigante. Selecionei parte do texto para uma analise; na verdade mais uma especie de elocubração mental de minha parte. Vejam:

<< realidade na qual vive o ser humano seria de fato "real" na acepção do termo? Como explicar a percepção de certas culturas antigas que afirmavam ser a vida "maya", isto é, uma ilusão? Significaria, então, que o ser humano vive numa realidade apenas aparente? Haveria uma outra vida paralela, ou pseudo-material?... Os pesquisadores dizem o contrário. Isto, porque foi descoberta uma forma de atestar que a vida é mesmo ilusória: o holograma, que é mais um mistério que intriga e fustiga. O holograma seria uma cópia tridimensional, ou seja, uma fotografia fidelíssima de um objeto original... ..... Em resumo, a vida seria virtual, funcionando igual a um "vídeo-game", onde tudo poderia acontecer, dependendo da "programação" feita pelo seu autor.>> Andre Soares

<>

MM: Não tenho conhecimento da Fisica suficiente para argumentar contra a teoria do Universo Holografico. A grosso modo meu bom-senso me diz, que não é possivel subdividir infinitamente uma parte e essa continuar contendo todas as informações do objeto original. Contudo copactuo com a ideia de que todas as coisas estão interligadas entre si e mesmo interdependentes.

O espirito Andre Luiz (Evolução em 2 mundos) fala que estamos mergulhados no 'halito do criador' e eu entendo isso como 'a mente de Deus' - seria algo muito parecido com o sistema Matrix (do filme) - em ultima analise o que chamamos de realidade, seria uma grande REALIDADE VIRTUAL, cujo ambiente mantenedor (Deus?) pertenceria a um outro tipo de realidade atemporal e imaterial.
[ Ver meu artigo - Logos, a origem de tudo.
http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1399.html ]

**Suspeito** que em ultima analise, que a NOSSA realidade seja formada (construida) somente por algo que chamarei de INFORMAÇÃO. Nada seria menos material que isso !!!

Abraços Fraternos
Mauricio Mendona

From: Eduardo Lima
Tronconi e todos,

Eu estava conversando com o Mauricio, e pelo que eu entendi (e acho q nao entendi), ele pensa que no final, depois de todas as divisões de uma particula nao resta "nada material". Esta conclusão leva a outra: nada material nao pode formar nada material..... antes que eu continue, acho melhor que ele mesmo se explique.....
Pois ele esta muito afim de debater este tema, e eu de ler .... os debates... naturalmente, faço questão de expor que de minha parte, acredito que saber que existem outras realidades, nao siginifica que nenhuma seja verdadeira...

E com relação a questão da divisão da coisas ate o nao material.... prefiro que ele e vc se manifestem primeiro e depois eu vejo se comento... este que é, para mim, um dos mais nebulosos assuntos que ja correram nesta lista...

PS Tambem oremos para que o(a)s psiquiatras da lista nao nos declarem insanos durante os debates...

From: Mauricio
Todas essas possibilidades postas aqui por nós, mostram quanto terreno
a ciencia ainda precisa caminhar. Estamos conversando mais na base da
intuição do que propriamente das conclusões, isso nos deixa num
terreno pantanoso, mas extramamente estimulante para mentes ferteis e
criativas.

Pois bem, sobre a questão da(s) 'particula(s)' básicas, foi dito...

Edu:
"> ... o Mauricio pensa que no final, depois de todas as divisões de
uma particula nao resta "nada material"."

MM:
Intimamente suspeito que seja isso realmente, mas tenho a meu favor
algumas informações provinientes do fisico Stephen Hawking, que
apontam para essa conclusao:

"A fisica classica pressupoe que a materia é um meio continuo...nas
recentes pesquisas em fisica nuclear nos levaram a escalas de 1 bilhao
de vezes menos que o atomo. Pode parecer que isso levaria a uma serie
infinita de divisões...na fisica a menor 'particula' é limitada pela
constante de Planck."

"Na teoria das supercordas... as cordas como suas homonimas do
dia-a-dia, são objetos com extensão unidimensional. Elas possuem
apenas comprimento.... ONDULAÇOES nas cordas são INTERPRETADAS como
particulas...."

Ou seja diferentes VIBRAÇÕES em/de uma corda provoca um surgimento de
APARENTES particulas diferentes. Ou por outra particulas pontuais
efetivamente nao tem existencia real - pontual e uniforme.

Daí surge uma nova pergunta: O que efetivamente seria uma CORDA? Qual
seria a sua natureza intrinsica? -- Estou cada vez mais convencido que
'corda' é somente uma informação (de novo). Parece que o Prof. Troconi
tem um pensamento semelhante quando diz:

TRC:
"... devemos parar em algum desses pontos e tentar entender a questão
da informação ou talvez da inteligência
armazenada em algumas dessas partículas."

MM:
Prof. muito interessante o texto postado sobre a lider do movimento
teosofico. Com relação a pergunta final:

TRC:
"Uma pergunta: o átomo é inteligente?"

MM: Pra mim, isso vai depender do conceito que dermos a inteligencia.
Pra mim um atomo (e qualquer outra coisa) é basicamente informação...
e informação é uma dos atributos da inteligencia. Ele vibra e tem
movimento, e transforma-se... então, dentro dessa visão, eu diria que
SIM.

Abraços Fraternos
Mauricio Mendonca

From: Eduardo

Sim, eu acho acho q vcs dois estão trilhando o mesmo caminho ou raciocinio..... mas O QUE É UMA INFORMAÇÃO? essa tal particula final da matéria? e outra pergunta "mais fácil", se no final so existe essa tal informação quais as consequencias disso para o "nosso conceito" de realidade?

Quero insistir, que desconfio, que, como o tempo (parafraseando Eistein), a
realidade é um incomodo que persiste..
From: Mauricio

Como disse o Prof. Troconi:

"...informação é um "algo" que ao interagir desempenha uma função que vai do simples, muito fácil de entender, ao complexo mais difícil de entender."

Como bem disse o Prof. ele 'pulou' a propria definição de informação, e fez talvez por respeito a formalidade academica que sua formação exige, creio. Ou seja, foi até onde dava pra ir com uma certa segurança teorica.

Eu proprio que não tenho essa formação (nem responsabilidade), vacilo ante o desafio apresentado, mas vou tentar delinear o meu surreal pensamento:

Nesse contexto, o que eu entendo o que seja INFORMAÇÃO?

Vou começar dizendo o que não é: Algo material (como conhecemos)! Daí vem aquela conclusão... Se as coisas são "formadas" por algo não material, a realidade percebida pelos nossos sentidos pode não ser assim tão real (material) quanto percebemos. Até aqui, as coisas tem um certo respaldo na fisica. Daqui pra frente, segue uma arroubo da imaginação... quase(?) uma ficção:

O Nosso universo (com suas possiveis dimensoes extras) seria uma gigantesca RV realidade virtual (no melhor estilo Matrix). Nem quero pensar no tamanho do "computador" para processar isso tudo. Nesse ambiente virtual de n-dimensões a "paisagem", as coisas palpaveis, são resultados, em ultima analise de formulas matematicas, probalisticas, factoriais, etc.

INFORMAÇÃO nesse contexto seria essas formulas, esses dados, que 'produziriam' essas imagens 3D (ou nD) - a RV.

O algoritimo da programação desse ambiente de RV, foi desenvolvido de tal forma, que propociona o ordenamento das coisas tal qual nós vemos (sistemas galaticos, estelares, nucleares, etc), são as LEIS DA FISICA. Ele tb propociona o surgimento de EVP - entidades virtuais "pensantes" capazes de "evoluirem", tornando-se autoconsciente e chegam mesmo a especular se são de fato reais!!! A Psiquê.

Ponha-se no lugar de um desses EVP´s de ordem superior auto-consciente.... como voce interpretaria esses dados/informaçoes computacionais? Lembre-se que voce os "vê", os "toca", etc. Ou seja para um EVP essa RV é muito real (material mesmo). Mas para o "programador" tudo isso seria bem irreal, virtual seria mais acertado. Pra tudo desaparecer, bastaria puxar o plug da tomada. Espero que "ele" tenha um bom nobreak!


Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça

Notas:
O Principio Holografico
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O Princípio Holográfico, ainda não provado, estabelece que há um máximo de quantidade de conteúdo de informação suportada por regiões adjacentes a qualquer superfície. Portanto, contra a intuição, o conteúdo da informação dentro de uma sala depende não do volume da sala, mas da área das paredes que a limitam. O princípio deriva da idéia que o comprimento de Planck, a escala de comprimento onde a mecânica quântica começa a dominar a gravidade clássica, é uma superfície com uma área que pode suportar apenas um bit de informação. O limite foi primeiro postulado pelo físico Gerard 't Hooft em 1993. Ele pode originar gerações de especulações similarmente distantes de que a informação suportada por um buraco negro é determinada não pelo volume que encerra, mas pela área superficial de seu horizonte de eventos. O termo "holográfico" surgiu de uma analogia com um holograma, onde as imagens em três dimensões são criadas pela projeção da luz através de uma tela plana.

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Esse artigo é uma compilação de um debate (O universo holográfico) que aconteceu na lista de discursao do IPCE.


2009/1/29 Mauricio Mendonca
Alo Andre,

Respondendo após MM5#

2009/1/29 André Luís
Maurício,

Acho que você ainda está um tanto indeciso sobre suas postulações metafísicas: um dilema de abraçar a visão espírita ou de se alinhar ao idealismo. Não seria isso? Seja como for, penso que as duas posições são extremamente difíceis de serem sustentadas cientificamente.


MM5# Não considero a hipotese de "a realidade" ser gerada por apenas por um cerebro (ou mente) humana. Então nao me enquadro no idealismo. Não penso que minha posição seja conflitante com a espirita, acho mesmo que é complementar. Entretanto, mesmo que fosse, eu não tenho que obrigatoriamente escolher entre uma e outra.

Abaixo, vou de azul...

Abs,
André Luís.


MM4# Quase exatamente. Seria uma especie de "idealismo radical"... :-) Seria mais ou menos como no Filme Matrix ... só que ao inves de "cerebros conectados" teriamos "mentes conectadas"...isso a meu ver essa ideia resolve todos os problemas mostrados no artigo - porem surge um enorme 1 enorme: "O que é a Matrix?"

[AL 29/01/2009]: Então na sua posição você não postularia mais uma base física para as "mentes conectadas"?


MM5# Em ultima instancia, não.


MM4# Acho que estamos discutindo em bases teoricas diferentes...Para o espiritismo temos dois dominios distintos propriamente ditos: O Material e Espiritual (LE P.27) ou Inteligente (P.79), a interface entre um e outro é FCU (Fluido Cosmico Universal(LE P.27) que hoje em dia pode ser entendido como Energia ('..combinações do FCU: Fluido eletrico, fluido magnetico, etc...)...


[AL 29/01/2009]: Mas do que é composto esse mundo espiritual? Matéria sui generis? Apenas "mentes conectadas"? Do que afinal?


MM5# Nao sei se percebeu, que esse dominio espiritual é diferente do mundo do afterlife. No mundo afterlife ainda teriamos materia com propriedades parecidas com o mundo normal. No dominio espiritual não. Então, perguntaria voce, de que seria feito afinal esse mundo espiritual? No LE:

P.88: Os espiritos (dominio espiritual ou inteligente) tem uma forma determinada, limitada e constante?
-- Para vos, nao. Para nós, sim. O espirito é se quiserdes (por analogia), uma chama, um clarao ou uma centelha eterea.

P.23: Qual a natureza intima do espirito?
-- ... o espirito nao é uma coisa palpavel, para vós ele não é nada; mas para nós é alguma coisa.

MM5# Suponho eu, que esse mundo seja da mesma natureza da "mente".




MM4# Sendo mais explicito, apos a morte ainda estariamos no dominio material, ainda teriamos um cerebro, mas é uma situação transitoria até chegarmos ao estado de "espirito puro" - em um dominio puramente espiritual.
Sei que cientificamente é dificil de sustentar essa posição, mas podemos ver até onde vai dar


[AL 29/01/2009]: Teríamos um cérebro perispiritual? É isso?

MM5# Isso. Mas não só o cerebro, claro.

E o que é um "domínio puramente espiritual"?

MM5# Vide acima. Seria como um dominio mental.

Neste domínio a mente ainda precisaria de um suporte físico/material?

MM5# Não. Pelo menos, não materia como a definimos.

Se não, penso ser incoerente exigir um suporte físico sui generis para a mente continuar após a morte corporal, isso porque, se em última instância, a mente viveria independente da matéria, tanto o cérebro físico-biológico e o perispiritual transmitiriam a mente, no lugar de produzi-la,

MM5# A existencia dos dois lados (encarnado/desencarnado) propicia no minimo a evolução da mente, tanto com relação as experiencias morais/inteligentes na carne quanto a propria evolução do corpo biologico (encarnado e perispiritual). Grosso modo, poderiamos dizer que o processo encarnado/desencarnado é um processo de produção em serie de "mentes" para viver no dominio espiritual.

logo, ontologicamente, a mente seria uma unidade fundamental da natureza, ao lado da matéria.

MM5# É, poderiamos dizer tambem dominio mental x dominio material.

Você ainda teria o problema da demarcação: quando, no curso da evolução, a mente viveria sem alguma espécie de filtro-físico transmissivo?

MM5# Tambem existe esse "problema" na demarcação entre mentes de animais e hominal, pois a mente humana evolui da animal - mas na pratica é facil reconhecer - parece existir uma especie de "salto quantico". De repente, ganha-se "consciencia" ou no caso presente hiper-consciencia.

Você não acha que é possível enxutar toda essa metafísica, de modo a torná-la, inclusive, uma hipótese científica que já é evidenciada pela pesquisa psíquica e a parapsicologia?


MM5# Enxugar por enxugar, nao. A nao ser que haja uma hipotese tão abrangente quanto. O problema nesse caso é que não ha uma teoria parapsicologica unificada de consenso e que explique uma larga gama de fenomenos.


MM# Concordo, mas nao venha me dizer que isso é facil de explicar/entender, que não é. :-)

[AL 29/01/2009]: Eu até entendo que é difícil de evidenciar como processos mentais não podem ser reduzidos aos nossos corpos biológicos. Agora, o que não compreendo é por que, de antemão, eu deveria assumir que a vida mental deve ser subordinada (ou produzida) pela matéria, mesmo esta sendo algo sui generis?


MM5# Conforme vimos acima, não é subordinada/produzida pela materia.


Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça



Abs!


2009/1/28 Mauricio Mendonca

Ola Andre,

Vamos agora depois de MM4#

2009/1/28 André Luís
Maurício,

vou de azul.

Abs,
André Luís.


MM3# Não estou suficientemente a par desses estudos para uma critica consistente... de qquer forma, penso que não são mutuamente exclusivos... sei o suficiente para afirmar que a mente pode criar "alucinações" bastante "objetivas" para quem as tem. A questão é: todos os casos podem assim serem enquadrados? Penso que não, a não ser que, tenhamos outras teorias auxiliares, como a desenvolvida no seu texto para complementa-la. Acho que são ideias interessantes mas precisam de mais desenvolvimento,

[AL 28/01/2009]: Todos os casos podem ser explicados.

MM4# Mas precisaria da hipotese "entrelaçamento telepatico". Ok.

[AL 28/01/2009]: Em todo caso, uma interpretação teórica não se faz com seleção de casos, mas sim sobre a análise do conjunto, atribuindo, quando possível, maior peso aos mais rigorosamente coletados. Os relatos anedóticos de aparições autênticas de vivos e de mortos mostram que as experiências variam entre o que se poderia chamar de "aparição perfeita" até àquelas que se assemelham a um espectro translúcido e incompleto. Não penso ser razoável dizer que aqui são corpos espirituais "mutilados" ou que houve uma falha de algo como uma "clarividência transcendente" por parte do percipiente vivo. No lugar, bastaria dizer que há um entrelaçamento telepático entre emissor e percipiente, no qual processos psicológicos que funcionam a nível subliminar promoveriam uma experiência alucinatória de modo a tornar a psi consciente. Penso assim pelas seguintes razões: a uma, existe evidência fortíssima a favor da telepatia; a duas, os estudos ganzfeld são evidências de experiências alucinatórias que tornam a psi consciente; a três, a alucinação telepática explicaria experiências visionárias de ambientes e lugares, de animais e objetos inanimados e os adornos que acompanham, inclusive, as "aparições perfeitas".


MM4# Estamos falando especficamente das"alucinçoes", não é isso?


MM3# Dá pra fazer um resumo desse dualismo radical? Ou apontar um link?

[AL 28/01/2009]: Segue tradução: http://parapsi.blogspot.com/2008/09/parapsicologia-e-dualismo-radical.html


MM4# Otimo.
"Igual ao idealismo, a idéia de que só a mente existe, que é a única outra opção monista, apesar de ser logicamente inexpugnável, é tão fantástico que existem hoje poucos idealistas explícitos, embora, como veremos, ele suporta um bom tratamento no pensamento corrente no que se refere à interpretação da Física moderna."

MM4# Pessoalmente estou mais para o "idealismo". Mas não tenho competencia o bastante para defesa da posição.

MM3# Nesse contexto colocado por mim, não pode ser visto como um ad-hoc, pois trata-se de uma hipotse auxiliar, pois NAO foi introduzido para evitar uma refutação do nucleo (hardcore). Repare que esse pressuposto (a existencia do perispirito) pode ser abandonado sem afetar as hipoteses centrais.

[AL 28/01/2009]: Bem, mas no que facilita a existência do perispírito? Por que você precisa desta hipótese auxiliar? Qual o fundamento disso?


MM4# Vou tentar explicar no isso post prometido para "depois".


MM3# Estou disposto, mas não tanto...Se eu fosse realmente defender a minha hipotese pessoal (ja confidenciei ao Eduardo), alguns duvidariam da minha sanidade mental :-) ... é ainda mas radical que a sua.. nela não há lugar para nada material (em ultima instancia). Uma pista:
http://mail.google.com/mail/#search/logos+espiritismo/10d35adff36f46f7


[AL 28/01/2009]: Seria o idealismo?
http://parapsi.blogspot.com/2008/05/o-problema-com-o-idealismo.html


MM4# Quase exatamente. Seria uma especie de "idealismo radical"... :-) Seria mais ou menos como no Filme Matrix ... só que ao inves de "cerebros conectados" teriamos "mentes conectadas"...isso a meu ver essa ideia resolve todos os problemas mostrados no artigo - porem surge um enorme 1 enorme: "O que é a Matrix?"



MM3# Objetivamente nao precisa ter um "por que"... talvez isso facilite (ou possibilite a evolução dos seres). Um ser que se renova (morre/nasce mudando de mundo) favorece a sua propria evolução (material e espiritual).

[AL 28/01/2009]: Facilita em que?

MM4# Vou tentar explicar mais no post prometido para "depois".


MM3# A proposito, qual (como) seria o suporte de uma consciencia afterlife? poderia existir uma realidade subjetiva sem o suporte de outra objetiva? Não sao perguntas faceis de resolver...

[AL 28/01/2009]: Penso que são fáceis sim. O problema é o pré-conceito. Na realidade eu acho tudo meio irônico. Se você acredita que nossas capacidades mentais não podem ser reduzidas ao cérebro, qual a razão de imaginar um outro suporte físico para a mente se expressar? No final das contas, você não passaria de um fisicalista.

MM4# Acho que estamos discutindo em bases teoricas diferentes...Para o espiritismo temos dois dominios distintos propriamente ditos: O Material e Espiritual (LE P.27) ou Inteligente (P.79), a interface entre um e outro é FCU (Fluido Cosmico Universal(LE P.27) que hoje em dia pode ser entendido como Energia ('..combinações do FCU: Fluido eletrico, fluido magnetico, etc...)...

P.26 - Pode-se conceber o espirito /dominio/ sem a materia e vice-versa? -- Pode-se, sem duvida, pelo pensamento.

MM4# Sendo mais explicito, apos a morte ainda estariamos no dominio material, ainda teriamos um cerebro, mas é uma situação transitoria até chegarmos ao estado de "espirito puro" - em um dominio puramente espiritual.
Sei que cientificamente é dificil de sustentar essa posição, mas podemos ver até onde vai dar.

Particularmente não tenho dificuldades em me filiar a teóricos que vêem a mente como uma unidade fundamental dentro da ontologia, da mesma forma que enxergo a matéria/energia. Eu até apostaria que muito da limitação imaginativa dentro da filosofia da mente vem de exageradas analogias entre a atividade mental e o computacionismo.


MM# Concordo, mas nao venha me dizer que isso é facil de explicar/entender, que não é. :-)


Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça


Abs!
2009/1/27 Mauricio Mendonca

Olá Andre e todos,

Li o seu texto. Achei-o um tanto familiar... creio que nas minhas elucubrações mentais já andei cogitando ideias semelhantes...ultimos comentarios apos MM3#

2009/1/24 André Luís

Respondendo depois de [AL 24/01/09]...
Abraços.
2009/1/23 Mauricio Mendonca

Ola Andre, comento apos MM2:

2009/1/20 André Luís
Maurício,

Respondendo depois de A2..

contrariada por algumas outras provenientes da pesquisa psíquica.

MM# Daria pra explicar melhor?

A2: Através de exemplos. A hipótese espírita sobre as visões de mortos e de clarividência transcendente parecem ser construtos psicológicos oriundos da personalidade do percipiente e/ou de algum "emissor" ou lugar, logo, em oposição a interpretação que infere a possibilidade de "duplos etéreos" (e perispírito) ou de uma natureza além-túmulo objetivamente real.


MM2: Até onde percebi, "parecem ser" nao constitui uma refutação clara. Creio entretanto que os dois fenomenos podem existir concomitantemente. Mas seria muito interessante um debate mais detalhado sobre esse tema,,,

[AL 24/01/09]: Veja Maurício, eu coloco "parece ser" como forma de evitar uma impressão dogmática. Se você estiver a par sobre casos de aparições e clarividências entenderá, como a maioria dos pesquisadores psíquicos (talvez a exceção seja apenas Hornell Hart) , ou seja, que as experiências visionárias são criadas por elementos das personalidades do percipiente e/ou de algum emissor. Sugiro você ler Apparitions, de G. N. M. Tyrrell, "Alucinações e Aparições" do Mackenzie, alguns textos sobre Aparições e EFCs do Stephen Braude disponíveis na Web.


MM3# Não estou suficientemente a par desses estudos para uma critica consistente... de qquer forma, penso que não são mutuamente exclusivos... sei o suficiente para afirmar que a mente pode criar "alucinações" bastante "objetivas" para quem as tem. A questão é: todos os casos podem assim serem enquadrados? Penso que não, a não ser que, tenhamos outras teorias auxiliares, como a desenvolvida no seu texto para complementa-la. Acho que são ideias interessantes mas precisam de mais desenvolvimento,


...seria composto de que? Ele seria material? Seria composto de matéria quintessenciada, segundo a visão espírita?

MM: Essas duvidas, são exemplos do que nao pode ser deduzido... e como voce bem disse carece de evidencias.

[AL 24/01/09]: A questão é: um Universo material quintenssenciado pode ser testado? Penso que não.

MM3# Até o presente não. Mas penso que se ha comunicação...pode ser testado futuramente.


A2: Sim, mas existe uma interpretação bem mais defensável para uma "Vida Futura", mais científica, mais escorada na psicologia, e que não precisa explicar perguntas como "para onde vamos depois que morremos", porque simplesmente não iremos pra lugar nenhum. Seria uma prospecção miniminista do dualismo a qual presentemente acredito ser o melhor modelo.

MM2: Essa é a versao da ciencia normal. O problema é que precisamos empurrar muitas coisas pra debaixo do tapete...

[AL 24/01/09]: A ciência normal defende mais o emergentismo. Minha hipótese é de um dualismo radical, similar ao de John Beloff. Neste, virtualmente não há nada sob o tapete.


MM3# Dá pra fazer um resumo desse dualismo radical? Ou apontar um link?


MM: Essas questoes, sao pertinentes... mas aí ja teriamos hipotese auxiliares (segundo Lakatos)... portanto podem ser refutadas e abandonadas... Nesse sentido eu incluo o perispirito nesse bojo, porque acho necessario um suporte "fisico"(?) para a consciencia (ou alma). Para os objetos inanimados nao vejo essa necessidade.

A2: Eu já pensei assim. Mas, convenhamos, por que a necessidade de um suporte físico?Por que a mente deve ser subordinada a matéria?

MM2: Repare que botei -fisico- entre aspas e seguido por uma interrogacao....de cara, percebe-se não tratar de materia fisica tal qual conhecemos...

[AL 24/01/09]: Sim, mas isso me soa extremamente um ad-hoc metafísico.

MM3# Nesse contexto colocado por mim, não pode ser visto como um ad-hoc, pois trata-se de uma hipotse auxiliar, pois NAO foi introduzido para evitar uma refutação do nucleo (hardcore). Repare que esse pressuposto (a existencia do perispirito) pode ser abandonado sem afetar as hipoteses centrais.


Afinal é matéria ou não? É objetivo ou subjetivo? Você está disposto a sustentar algo como uma matéria sui generis?


MM3# Estou disposto, mas não tanto...Se eu fosse realmente defender a minha hipotese pessoal (ja confidenciei ao Eduardo), alguns duvidariam da minha sanidade mental :-) ... é ainda mas radical que a sua.. nela não há lugar para nada material (em ultima instancia). Uma pista:
http://mail.google.com/mail/#search/logos+espiritismo/10d35adff36f46f7



Então você seria, de certo modo, um adepto da teoria da produção, já que um tal "suporte físico" criaria a mente?

MM2: Não sou. Meu pensamento é que de fato há "uma evolução em dois mundos"... onde ha a junção entre dois elementos distintos, mas um não cria o outro. Sei que nao estou sendo suficientemente claro, mas poderemos aprofundar o debate...

[AL 24/01/09]: Penso existirem dois mundos também. Um objetivo e outro subjetivo e compartilhado. Mas por que um "Afterlife" precisa ter uma base material sui generis?

MM3# Objetivamente nao precisa ter um "por que"... talvez isso facilite (ou possibilite a evolução dos seres). Um ser que se renova (morre/nasce mudando de mundo) favorece a sua propria evolução (material e espiritual).

MM3# A proposito, qual (como) seria o suporte de uma consciencia afterlife? poderia existir uma realidade subjetiva sem o suporte de outra objetiva? Não sao perguntas faceis de resolver...


Qual o fundamento pra você restringir a natureza da vida mental a um subproduto da matéria (mesmo que esta seja algo transcendente, mas que não deixa de ser físico, como uma mesa ou um elétron)?

MM2: Não é isso. Vou ver se consigo expressar-me com maior clareza posteriormente.

[AL 24/01/09]: Penso que seria isso sim. Mas gostaria de ver sua alternativa, é claro.

MM3: Vou tentar fazer isso em um novo post...tomando como base o livro de Andre Luis "Evolução em dois mundos"... segundo alguns um amontadado de frases sem sentido... :-)))


E mais. Alegar um pressuposto físico para a existência da mente também não deixa um teórico sobrevivencialista vulnerável frente a 2ª lei da termodinâmica? Cheguei uma vez a pensar num monismo energético (assim justificando uma base física para a consciência: http://parapsi.blogspot.com/2008/07/para-uma-teoria-etiolgica-de-uma-mente.html), mas hoje reputo ser extremamente desnecessário. Aliás, tirando isso e a complacência que tive ao panpsiquismo, no link acima existe um bom resumo de minha opinião metafísica transcendencialista.


MM2: Vou ver se leio o seu texto.

[AL 24/01/09]: Um grande abraço!!!

Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça


Abraços,
André Luís.

2009/1/20 Mauricio Mendonca
Olá Andre,

Faço alguns comentarios apos MM#

2009/1/20 André Luís

Olá Maurício,

Vou fazer algumas perguntas iniciais, para, nas mensagens posteriores, colocar meu ponto de vista. Penso que a visão mais ordinária sobre uma prospecção de "como seria a Vida Após a Morte" é, além de carente de evidências,

MM# Concordo plenamente.

contrariada por algumas outras provenientes da pesquisa psíquica.

MM# Daria pra explicar melhor?



Por suas respostas ao Montalvão, não consegui vislumbrar a que tipo de natureza ou qualidade você atribui a uma "Vida Futura", questão a qual reputo crucial para se desenvolver elucubrações mais detalhistas e decorrentes; então, questiono se esse local "não perceptível pelos sentidos habituais" ...

MM: As respostas ao Montalvao, são para demonstrar que esses postulados podemos deduzir algumas duvidas... mas não tudo no universo,, a nao ser que sejam introduzidos outros itens no Hardcore... aí deixa de ser um hardcore e passa a ser um amontoado de hipoteses,,,ou admitir algumas hipoteses auxiliares,



...seria composto de que? Ele seria material? Seria composto de matéria quintessenciada, segundo a visão espírita?

MM: Essas duvidas, são exemplos do que nao pode ser deduzido... e como voce bem disse carece de evidencias.


Sua teoria respalda a hipótese do perispírito? Objetos inanimados teriam correspondentes ao perispírito, como duplicidades quintenssenciadas?


MM: Essas questoes, sao pertinentes... mas aí ja teriamos hipotese auxiliares (segundo Lakatos)... portanto podem ser refutadas e abandonadas... Nesse sentido eu incluo o perispirito nesse bojo, porque acho necessario um suporte "fisico"(?) para a consciencia (ou alma). Para os objetos inanimados nao vejo essa necessidade.



Meu objetivo é debater sobre qual a prospecção de uma Vida Futura que mais se alicerça nas evidências da pesquisa psíquica, da parapsicologia e na filosofia da mente.


MM: Por favor, fique a vontade.


Abraços Fraternos
Mauricio Mendonça



Abs,
André Luís.



2009/1/20 Mauricio Mendonca
Montalvao,

Tentarei responder da melhor maneira possivel. O fato de estabelecermos o paradigma facilita uma enormidade, mas lembro que caso queira tambem posso responder considerando outros paradigmas.

Espero que o colega tenha lido o texto que indiquei sobre "espiritismo e ciencia" compilado por mim... assim facilitaria a compreensao... vamos lá.


Para ser bem objetivo, vou introduzir um novo conceito na relação do programa de pesquisa Lakatosiano, ficaria assim o hardcore:


- Sobrevivencia da alma (consciencia) apos o fenomeno da morte;
- A comunicabilidade entre os dois estados (encarnado e desencarnado)
- A reencarnação dessa alma
- A evolução dos seres ( corpo e alma )


RESPOSTA: pois bem, tentarei seguir sua sugestão. Por favor, informe, considerando o paradigma mediúnico-reencarnacionista:

1. quando alguém desencarna para onde vai? Para algum lugar específico, um planeta, ou o quê?

R# O maximo que se pode deduzir com certeza a partir do hardcore é: Um local (ou varios) não percepitivel pelos sentidos habituais de quem está encarnado.



2. há diferença de destino entre, digamos, nacionalidades diferentes?

R# Considerando a evoluçao e a diversidadades dos seres, supoe-se destinos diferentes.

3. se houver, haveria também entre raças diferentes?

R# Não vejo como deduzir isso a partir do hardcore.

4. se houver, como é que se resolve essas questões?

R# idem.

5. e a forma da morte, acarreta destinações diversas? Por exemplo, tem o mesmo destino quem morre por causas naturais e quem morre por acidente?

R# Idem.

6. o que acontece com os adeptos de credos religiosos, notadamente aqueles que não admitem, nem por hipótese, a mediunidade e a reencarnação?

R# De acordo com o hardcore, todos nascem, crescem, morrem, sobrevivem e reencarnam...EVOLUEM. Ha quem diga que os primeiros cristão acreditavam que não morreriam, pois seriam arrebatados por Cristo ainda em vida (pois que voltaria em breve)... Morreram todos. Os evangelicos não acreditam em mediunidade, mas não questionam o encontro de Jesus, Moises e Elias... A crença nada influi em fenomenos naturais.



7. e aqueles que admitem a mediunidade, mas não a reencarnação?

R# Todos podem se agarrar as suas crenças pelo tempo que quiser... ainda hoje se tem gente que crer que a terra é chata... isso nao muda o fato. Assim como quem não crer na Mediunidade (mesmo depois de morto) pode evitar a comunicacao com o mundo dos encarnados... os descrentes na reencarnacao podem em tese retardar a sua reencarnaçao, mas de acordo com o paradigma presente não pode evita-la indefinidamente.



Espero ter sido util,

Abraços Fraternos

Mauricio Mendonça

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Camille Desmoulins, Um caso de RMVP

Por Mauricio Mendonça (2002)

No livro da autoria conjunta de Hermínio C. Miranda e de Luciano dos Anjos, chamado Eu sou Camille Desmoulins é apresentado um fantástico caso de Regressão de Memória. Nele temos uma experiência de RMVP onde o co-autor L.A. reconhece-se como Camille Desmoulins, um dos líderes da Revolução Francesa. Nesse processo muitas informações foram registradas em fita no momento do transe e com um excelente trabalho de pesquisa histórica posterior pode-se validar essas informações.

O método para obtenção do transe utilizado foi a aplicação de passes magnéticos com sugestões e foram realizadas cerca de dez seções, com aproximadamente uma hora cada uma. O sujeito relata que no momento do transe ficava “inconsciente” ou seja, não tem lembrança do que se passou. Vejamos o que ele diz com relação às suas sensações durante o início do processo. Vejamos como ele descreve o procedimento:
__Fechei os olhos e me estendi na poltrona, procurando relaxar todos os músculos do corpo. Até as pálpebras, procurei deixá-las como mortas. Ouvia a voz monótona do Hermínio, enquanto fixava o interior negro de minha própria visão. Depois de 10 minutos, comecei a ficar ligeiramente tonto e sentir a total paralisação dos músculos e tendões. A tonteira foi aumentando e a respiração tornando-se cada vez mais difícil. Eu ofegava. A cabeça passou a girar cada vez mais rápida. As mãos e os pés começaram a formigar ligeiramente; e depois, mais e mais. O formigamento foi subindo e, na medida em que atingia outras partes do corpo, deixava as anteriores anestesiadas, completamente insensíveis. Minha ausência de controle psíquico era total… e após isso perdi a consciência.
Passada essa fase de indução, seguia a conversação buscando extrair as informações. Nas primeiras seções, apesar do transe profundo os diálogos não foram muito produtivos, isso certamente pela “falta de prática“ do sensitivo e também dada a gravidade política da época em que aconteceu aquela vida. Exemplo:

__ Descreva o que vê.
L) Uma sala grande… Muitas janelas… Muitas. Passadeiras, quadros.
__ Tem mais alguém aí?
L) Não. Estou esperando alguém.
__ O que você foi fazer aí?
L) Acho que tínhamos um encontro. Agora já chegou.
__ Como é esse amigo?
L) É uma mulher.
__ Como se chama?
L) Therèse. É minha amiga; ou noiva.. ou irmã…não sei… de um amigo meu.

Após algumas seções os diálogos mostram-se consistentes e com muitos detalhes pessoais e históricos. Exemplo:
__ Nessa época havia notas, moedas? Quanto representava?
L) Tinha. O “louis”.
__ Como se repartia em moedas de menor valor.
L) O “sou”.
__ Quanto valia um “sou” ?
L) Um “louis” tinha… um “sou” era a quarta parte. Vinte e cinco “sous” faziam cem “louis”… Havia notas também. A “livre”.
__ Quanto custava os seus jornais? Cada exemplar.
L) Ah… Cinco sous.

O que impressiona nesse caso, além da dramaticidade incorporada ao diálogo, é a grande quantidade de informações históricas difíceis de serem encontradas. Tendo de ser buscado hora numa obra, ora em outra e muitas vezes em livros raros. E praticamente todas as informações se mostraram acertadas. A seguir listo uma relação de informações obtidas nesse estado:
Nome: Camille, Lucie Simplice Benoist Camille Desmoulins.
Ano de nascimento: 1760
Local de nascimento: Guise
Onde mora: Paris
Faculdade: Direito.
Esposa: Lucile. O nome verdadeiro, Anne-Louise Philippe Laridon Duplessis, nasceu em 24 de abril de 1771.
Pai: Jean-Nicolas Benoist Desmoulins, Advogado, magistrado da corte em Aisne.
Mãe: Marie Madeleine Godart.
Irmãos: Sete. Henriete que morreu com 9 ou 10 anos, Marie-Toussaint, Armand, Anne, Lazaré, Clemente e Lucie(eu).
Sogro: Claude Etienne Laridon-Duplessis, trabalhava na Fazenda Pública.
Sogra: Madame Duplessis. Eu a chamava de Madame Darrone. Darrone é Patroa, é gíria.
Saída de casa: 13 para 14 anos, queria sair de Aisne.
Onde estudou: Colégio Clermont, depois mudou para Louis-le-Grand na Rue Saint Jacques.
Amigo do tempo do colégio: Leon… Robespierre, ele foi padrinho de nosso filho, Horace. Ele já estava lá quando cheguei.
Livro que leu antes da guilhotina: Méditation sur le Tombeu, de Jonh Hervey.
Melhor amigo: Danton. Morava na cour de commerce, número 1.
Parente: Fouquier-Tinville Atuou na revolução. Um crápula. Primo distante.
Primeiro Trabalho: Arranjado pelo primo por parte de mãe, Viefville Desessart.
Primeiro jornal publicado: Les Révolutions… Custava 5 sous cada e produção saía por 100 sous, 1 louis.
Salário do tipógrafo: 25 a 30 sous por mês.
Salário de um advogado: 5 ou 6 mil livres por ano.
Os detalhes das informações são impressionantes, e o nosso espírito crítico já tende a conjecturar que são muitos acertos para um só caso, já nos levando a supor alguma espécie de fraude por parte do sensitivo. Talvez ele tivesse estudado tudo isso e conscientemente tivesse dando somente uma demonstração de seus conhecimentos adquiridos. No entanto a maioria das informações foram dadas em repostas a perguntas não previamente fornecidas, e sem nem sequer o pesquisador saber se existiam em livros ou não; o que só seria confirmado em pesquisa posterior. Algumas vezes as perguntas eram preparadas previamente e sem o conhecimento do sensitivo. Uma certa vez, uma terceira pessoa, Murilo Alvim Pessoa – Professor, formulou uma pergunta e lacrou em um envelope o qual somente foi aberto no momento que o Luciano já estava em transe. Vejamos o diálogo:

__ Sobre um jantar de despedida, já muito na tensão, na expectativa de ser preso… Você teria dito uma frase, provavelmente não em Francês, e que alguns historiadores registraram.

(Longos momentos de silêncio e expectativa. De repente, sua respiração se altera,… o tom de voz se modifica…)

L) Eu sei o que ele quer. Foi um jantar… em minha casa. Foi antes de eu ser preso. Eu e Danton. Brune estava presente e queria que eu parasse de publicação do Viex Cordelier. É isso que ele quer. É Latin. Foi… “Edamus et bibamus, cras enim muriemmur!” ; “Buvons et mangeons, nous mourrions demain.”

L) Comamos e bebamos que amanhã seremos mortos— digo eu.

Conclusão

Excluindo-se a explicação de fraude consciente, a hipótese mais plausível é a ocorrência de uma verdadeira Regressão de Memória devido ao alto grau de detalhes históricos que posteriormente revelaram-se verdadeiros.

Mauricio Mendonça

Coordenador do Instituto de Pesquisa de Ciência Espírita do Ceara - IPCE
mauricio.jrm@gmail.com

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A Decadência dos Fenômenos Mediúnicos de Efeitos Físicos

Por Mauricio Mendonça, 2006

SUMÁRIO: Durante as duas últimas gerações de pesquisadores psíquicos não houveram pesquisas envolvendo médiuns e fenômenos mediúnicos de efeito físicos com a qualidade e intensidade registradas no final do século XIX e inicio do seculo XX. Algumas possíveis explicações tem sido levantadas por pesquisadores atuais, que vão da ocorrência de fraude no passado, até questões psico-sociais. Nesse artigo a apresentação de uma explicação espírita que leva em conta as caracteristicas especias do objeto em estudo, que associada com as demais pode esclarecer melhor essa questão.
Introdução

É notório que o auge das pesquisas envolvendo os fenômenos mediúnicos e os de efeitos físicos em particular (FMEF), situam-se nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX. As pesquisas com Florence Cook (William Crookes) e Daniel D. Home (vários pesquisadores) são bons exemplos dessa fase. Essas pesquisas podem ser consideradas de boa qualidade à época, apesar de que os recursos e controles de então provavelmente seriam hoje considerados insuficientes. Alguns críticos afirmam e com uma boa dose de razão que seria necessário replicar essas pesquisas na atualidade e que isso poderia ser suficiente para concluir positivamente sobre as teorias da sobrevivência e dos fenômenos Psi em geral, e se isso não acontece pode ser simplesmente porque esses fenômenos não são reais. Segundo eles, os resultados positivos obtidos poderiam resultar de fraudes por parte dos médiuns e isso associado ao despreparo dos pesquisadores. Argumentam que os controles de hoje são muito superiores, incluindo sempre a participação de mágicos e ilusionistas, além de que os recursos tecnológicos disponíveis serem mais adequados para impedir tentativas de fraudes.

Pensamento de Pesquisadores Modernos

Eu não vou argumentar aqui contra a hipótese de fraude, simplesmente eu vou assumir que os fenômenos ocorreram de acordo com as conclusões das pesquisas que foram melhor conduzidas, ou dizendo de outra forma, que os fenômenos nesses casos foram reais. Eu não estou afirmando que não houve fraude em tal demonstração, se possível, requeria um grande espaço e fugiria do foco desse artigo. O problema passa a ser então a responder a pergunta: "Por quê houve uma decadência na pesquisa dos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos?". Essa questão é sutilmente diferente de perguntar se os FMEF realmente desapareceram, nos moldes do que produziam os grandes médiuns como Eusapia Paladino e Douglas Home, ou simplesmente eles não são postos em análise ou os novos médiuns mantém-se anônimos por escolha deles próprios. O fato é que não surgiram médiuns com características e potencial desses citados nos últimos 50 anos ou mais. O mais provável é que não haja uma única resposta para essas questões, e sim uma combinação de razões. Na opinião de John Beloff (1) [Implicações filosóficas dos estudos parapsicológicos] houve uma onda ciclotímica muito parecido com o que acontece com movimentos artísticos que surgem e esmaecem com o passar do tempo, até acontecer uma outra 'onda'. Ele disse: "... quero assinalar é que como aparecem aqueles reflexos de criatividade que geralmente associamos com a atividade artística, a manifestação do fenômeno paranormal aparece também de maneira ciclotímica ... ". Apesar disso ele diz: "A dura verdade que temos que enfrentar é que a crua realidade do fenômeno Psi não foi verificada à satisfação de todos." referindo-se aos fenômenos Psi em geral.

O Professor Ian Stevenson (2) [Pensamentos Sobre o Declínio dos Macros Fenômenos Paranormais] entre outras explicações, considera que "O ceticismo derivado do materialismo filosófico pode inibir normalmente a ocorrência de fenômenos paranormais importantes. ... As fontes bem promissoras de fenômenos paranormais importantes hoje podem estar em países industrialmente pouco desenvolvidos, entre alguns indivíduos especialmente dotados, e em certas experiências raras...". Mas a frente ele diz: "os pesquisadores psíquicos das últimas duas gerações tinham menos receio dos macros fenômenos do que da desaprovação de colegas em outros ramos de ciência. Isto levou muitos deles a imitar psicólogos, que, em seus laboratórios, tentavam imitar os físicos e os químicos nos seus." (Stevenson, 1987). e depois continua: "Além do mais, a pobreza de cientistas conhecidos em tomar interesse nestes fenômenos significa que as pessoas tendo experiências paranormais possuem pouca informação sobre pessoas profissionais qualificadas a quem eles possam descrever o que experimentam. Também, pessoas que têm ou que pensam que podem ter sensibilidades especiais ou capacidades mediúnicas não têm quase ninguém qualificado na pesquisa psíquica a quem eles possam se voltar para estímulo e direção.". Entretanto ele reconhece que " ... Também, algum declínio no interesse dos investigadores de agora pode resultar de uma queda na quantidade e qualidade dos fenômenos disponíveis para estudo. ... Posso garantir a vocês que as reivindicações dos macro fenômenos que permitem investigação não cessaram por completo, porque nossa unidade na Universidade de Virginia continua a ser notificada deles de vez em quando."

O Efeito “Vontade” do Objeto de Estudo

De minha parte, que aceito a sobrevivência da alma como hipótese de trabalho, não abdicarei de propor uma explicação um pouco mais heterodoxa e nem reivindico que ela seja inédita. Não significa que essa explicação substitua todas as outras citadas anteriores, mas mesmo que as complementa. Acredito que houve realmente uma significativa diminuição na ocorrência dos FMEF, apesar de outros fatores também influenciem o decréscimo da divulgação desses fenômenos e também das pesquisas relacionadas. Dessa forma essa onda ciclotímica sugerida por Beloff teria sido produzida intencionalmente por entidades desencarnadas (espíritos) interessados na produção daqueles fenômenos no período citado, como parte de uma estratégia mais ampla visando o desenvolvimento moral e tecnológico da humanidade, e especialmente moral. Uma boa parcela de críticos e pesquisadores psíquicos ainda não compreendeu ou não aceitou o fato que o seu objeto de discursão, tem características que outros objetos de estudo não possui, que nesse caso são vontade e intencionalidade. Outros fatores como os citados por Stevenson podem ter contribuído, mas em um grau menor. A ausência de pesquisas então, seria resultado da escassez de médiuns para serem estudados, isso tanto porque diminuiu a ocorrência dos fenômeno quanto pelos outros fatores já citados.

E por que os 'espíritos' não continuaram produzindo os fenômenos da mesma intensidade do período citado, já que aparentemente o objetivo era demonstrar a sua própria existência?

Kardec (1857) deixou claro em vários momentos que um dos principais objetivos do surgimento do espiritismo era contrapor-se ao materialismo que estavam em franca ascensão naquela época. Parecia que o positivismo lógico em breve responderia a todas as questões sobre o universo, não deixando espaço para nenhum tipo de superstição (incluindo a religião) na mente das pessoas mais cultas. O movimento espiritualista surgiu fortemente com muitos fenômenos e poderosos médiuns, inclusive de médiuns que provocavam os fenômenos analisados aqui. Cientistas e estudiosos renomados convenceram-se da realidade dos fenômenos: William Crookes, Camile Flamarion, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, etc.. Nesse contexto uma conclusão parecia inevitável, o fenômeno era real. Entretanto a interpretação desses fenômenos foram motivos de intensos debates, muitos atribuíam à uma força psíquica do próprio médium, portanto sem a necessidade de um agente desencarnado. Essa idéia é basicamente igual ao que alguns pesquisadores atuais dos fenômenos Parapsicológicos chamam de super-Psi. Na minha avaliação e pesquisadores como os citados acima e ainda Alan Gauld e S. Braude mais recentes a explicação espiritualista era mais consistente com o resultados das pesquisas, e no entanto não conseguiu convencer a maioria dos pesquisadores, e assim o impasse permaneceu por algumas décadas. Notemos que nenhuma das explicações enquadrava-se no pensamento materialista, pois de alguma forma havia algo imaterial agindo naqueles fenômenos.

Enquanto isso, as ciências naturais davam saltos cada vez maiores, isso induzia os pesquisadores psíquicos a usarem a mesma metodologia de trabalho. Esse foi o caminho seguido por J. B. Rhine (1934) na tentativa de explicar o que ele chamou de ESP (Extra Sensorial Perception) mudando o foco das pesquisas para uma perspectiva estatística e laboratorial, criando assim uma "nova" ciência - a Parapsicologia. O sucesso inicial dos resultados de Rhine a respeito da telepatia e da clarividência, pareciam apontar para a solução da questão pendente das décadas passadas. Depois, alguns pesquisadores exageraram ao usar os resultados estatísticos da parapsicologia para declarar que todos os fenômenos autênticos espiritualistas eram na realidade manifestações parapsicológica do inconsciente (René Sudre, e outros). Nesse ponto os FMEF cessaram ou ficaram ocultos. Na minha opinião os 'espíritos' nos deixaram fazer o que para nós parecia ser o melhor caminho, ou seja, tentaríamos usar os métodos analíticos e estatísticos em laboratório; e deixaram em beneficio do nosso próprio aprendizado, suponho.

Após meio século de pesquisas, a parapsicologia não havia ainda conseguido o seu intento, e apesar do aperfeiçoamento dos experimentos (ver experimentos Ganzfeld) o resultado estatístico ainda não foi capaz de convencer os seus críticos e nem a maioria dos pensadores acadêmicos da realidade dos fenômenos Psi. Stevenson (1987) considerou que "A ênfase desequilibrada em experiências de laboratório que agora prevaleceu entre duas gerações de pesquisadores psíquicos necessita correção de rumo, ...". Não penso que os experimentos estatísticos laboratoriais devam ser abandonados, mas me parece claro que os macros fenômenos, por serem auto evidentes, devem voltar a ocupar o lugar que já possuíram dentro da pesquisa psíquica. Assumir definitivamente, mesmo que como hipótese de trabalho, que os esforços devem ser de ambos os lados, dos pesquisadores humanos e dos pesquisadores desencarnados.

Um ótimo exemplo, que pode estar encabeçando uma novo ciclo de pesquisas com macros fenômenos - FMEF, foram as pesquisas que culminaram no pouco divulgado Scole Report (Soloman, Grant & Jane) (1999). The Scole Experiment. Scientific Evidence for Life After Death ; Londres: Judy Piatkus, 1999). Nesse relatório membros da SPR de Londres pesquisaram por dois anos e publicaram um detalhado e completo relatório com fenômenos comparáveis aos obtidos com os grandes médiuns de efeitos físicos no início do século XX. O Brasil, apesar do alto potencial em relação a mentalidade favorável da população em geral, é um péssimo exemplo em se tratando de pesquisas cientificas nessa área. Em particular os espíritas, que por razões diversas que não cabe analisar aqui, não incentivaram de forma consistente as pesquisas, seja não produzindo pesquisas, seja por não elaborar os relatórios necessários de eventuais experimentos. Espero que os bons ventos dessa nova onda cheque rapidamente em terras tupiniquins.

Mauricio MendonçaCoordenador do Instituto de Pesquisa de Ciência Espírita do Ceara - IPCE mauricio.jrm@gmail.com

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