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terça-feira, 10 de março de 2009

Os Fenômenos de Scole

Por Marcelo Coimbra Régis, 2005

Na maioria das vezes que falamos das pesquisas mediúnicas de efeitos físicos, somos levados a citar pesquisas que se desenvolveram no período de 1875 a 1930. Levantando a suspeita que esses fenômenos não mais ocorrem nos dias atuais e portanto não eram autênticos. Dentro dessa perspectiva os experimentos estudados na pequena vila de Scole na região de Norfolk, a sudoeste de Londres na Inglaterra, tem a meu ver um importantíssimo significado para a pesquisa psíquica.

Foi nessa pequena vila onde ocorreram diversos e excepcionais fenômenos mediúnicos num período de 5 anos entre 1993 e 1998. Fenômenos comparáveis aos obtidos com os grandes médiuns de efeitos físicos no início do século XX, porém com características totalmente inéditas. Além disso o grupo de Scole esteve sempre aberto a investigação científica séria tendo convidado cientistas da Society for Psychical Research (SPR) de Londres para acompanhar seus trabalho o que resultou num extenso relatório comprovando a veracidade dos fenômenos ali obtidos



O Grupo Experimental de Scole (SEG)

O casal Robin e Sandra Foy. Robin, ele um ex-piloto da RAF (força aérea inglesa), e Sandra, ela um dona de casa, há mais de 25 anos vinham pesquisando a mediunidade de fenômenos físicos, sempre participando de pequenos grupos familiares, sem nenhuma ligação religiosa ou com alguma instituição formal. Assim sendo decidiram formar um pequeno grupo de pesquisas doméstico tão logo se mudaram para a vila de Scole. Foi dessa forma despretensiosa que no final de 1992 nasceu o Grupo Experimental de Scole (SEG) com a finalidade específica de realizar sessões mediúnicas de efeitos físicos. Inicialmente o grupo era formado por 6 integrantes, mas no decorrer das pesquisas se viu reduzido a somente 4 participantes: Robin & Sandra Foy e o casal Alan & Diana Bennett. É interessante notar que apenas Alan e Diana Bennett possuíam o dom mediúnico, porém suas faculdades mediúnicas em nada se comparavam aos tradicionais médiuns de efeitos físicos. Normalmente os dois médiuns permaneciam em transe durante toda as sessões e era através deles que os diversos membros da equipe espiritual se comunicavam.

Em Maio de 1993 ocorreu o primeiro fenômeno de levitação de objetos, quando um trompete foi deslocado até o colo de um dos participantes. Novamente os meses seguintes foram marcados por poucos fenômenos físicos, porém foram ricos em comunicações mediúnicas e importantes para o progresso dos experimentos futuros. Após alguns meses, em Outubro de 1993 os fenômenos físicos voltaram, iniciando-se pelo aporte de uma “Churchill Crown” , uma moeda inglesa com a esfinge de Wiston Churchill gravada em um dos lados. Esse fenômeno marca o início da torrente de fenômenos que se seguiriam nos próximos anos.

A Equipe Espiritual:

O grupo contava com o apoio de uma equipe espiritual, as diversas personalidade comunicantes contribuíam para um clima de união. Alguns Espíritos possuíam conhecimentos científicos, outros filosóficos e outros contaram pitorescos aspectos sobre a vida extra-corpórea. Os próprios Espíritos declararam que estavam também pesquisando e experimentando essa nova forma de comunicação, utilizando uma mistura de energias e tentando desenvolver um método de obtenção de fenômenos físicos que não exigisse tanto dos médiuns e que não necessitasse de ectoplasma.

O Método:

O SEC se reunia duas vezes por semana, no período noturno. As sessões tinham duração média de 2 horas. O grupo utilizava o porão da casa de Robin e Sandra, reunindo-se em torno de uma pesada mesa redonda com todas as luzes apagadas. O porão foi devidamente preparado de forma que nenhuma claridade externa o penetrasse. Todos os participantes usavam pulseiras refletoras (luminescentes) e com fechos de velcro. Em todos os objetos presentes na sala de reunião também se afixavam as mesmas faixas luminescentes, dessa forma podia-se acompanhar qualquer movimento dos participantes e dos objetos mesmo em total escuridão. Todas as sessões foram gravadas e temperatura da sala era monitorada continuamente. Numa sessão típica, após apagarem-se todas as luzes, uma música de fundo era tocada de forma a harmonizar as energias. A abertura da sessão era feita pelo Espírito chamado de Manu. Logo em seguida comunicava-se o Espírito chamado de Raji , que informava aos participantes o planejamento para a noite e detalhava quais os experimentos que seriam tentados naquela data. A partir daí os Espíritos guias (Mrs. Bradshaw e Patrick) continuavam comunicando-se através dos dois médiuns e auxiliando outros Espíritos a trazerem mais informações sobre os fenômenos. Finalmente após decorridas umas duas horas de sessão Patrick informava os presentes que era hora de
encerrarem os trabalhos

Os Fenômenos:

Em Scole foram registrados mais de 200 tipos de fenômenos físicos. O que segue é apenas um breve sumário, para dar a mínima noção da abrangência e da importância de Scole para as pesquisas psíquicas modernas.

1. Aportes (transporte de objetos):

Durante as sessões de Scole mais de 70 aportes foram testemunhados. Entre os mais significativos estão os aportes de: diversas moedas antigas, um exemplar da edição do Daily Mail de 1/4/44, um exemplar da edição do Daily Express de 28/5/45, um colar de pérolas, diversas jóias e artigos ornamentais

2.Luzes Paranormais:

Diversas luzes paranormais apareciam durante as sessões. Esses pontos e feixes brilhantes iluminavam a sala e eram como que guiados por alguma inteligência. Moviam-se com velocidade surpreendente e com o passar do tempo tornaram-se mais intensos, a ponto de iluminarem boa parte da sala. Os feixes descreviam figuras no ar, tocavam os presentes nas mãos, pousavam sobre a mesa central. As vezes penetravam objetos sólidos, irradiando luz do seu interior. Centenas de visitantes puderam testemunhar sua realidade.

3. Levitações e Materializações:

Diversas materializações (sem usar ectoplasma), sendo a mais impressionante a do Espírito de Patrick, que se materializou da cabeça até a cintura. Um dos fenômeno mais interessante obtido em Scole foi a voz direta provindo das formas materializadas, ou seja, a voz comunicaste vindo diretamente da boca do Espírito materializado. Diversos objetos foram levitados, como a pesada mesa central, um trompete, caixas de madeira contendo objetos, câmaras fotográficas, etc…

4. Experimentos com Fotografia:

São talvez os mais importantes de todos os fenômenos físicos ocorridos em Scole, pois permitem uma investigação e comprovação científica. Inicialmente os Espíritos utilizaram uma máquina fotográfica comum (35mm, sem flash) e durante o transcorrer das sessões solicitavam que os participantes fotografassem no escuro mesmo. Às vezes, os próprios Espíritos levitavam a câmara e acionavam o disparador durante as sessões. Após a revelação do filme, diversas imagens paranormais tinham sido impressas no filme fotográfico. Com o tempo os experimentos evoluíram e os fenômenos se produziam com os filmes virgens ainda selados em seu pacote original e sem o uso de câmara fotográfica. Outra melhoria foi o uso de filmes polaroid planos (virgens e selados no pacote original) que eram revelados imediatamente ao término da sessão. Com a presença dos pesquisadores da SPR o controle e rigor científico foi aumentado enormemente.

5. Voz Direta:

Os Espíritos utilizaram a voz direta para conferir maior autenticidade as comunicações. Assim apesar de 2 médiuns estarem sempre em transe, podia-se ouvir as vozes dos Espíritos vindo de diferentes partes da sala.

6. Transcomunicação Experimental:

a. Áudio:

O grupo de Scole construiu um tipo de receptor utilizando um cristal de Germânio, conectado a um tipo simples de amplificador de sinais. Com esse aparato e sob a supervisão de diversos pesquisadores da SPR foram obtidas comunicações audíveis em várias sessões. Algumas comunicações foram sustentadas por mais de 20 minutos ininterruptos.

b. Vídeo:

O Grupo de Scole avançou para a obtenção de imagens e mensagens via vídeo (Vidicom). O aparato utilizado consistia de uma câmara VHS normal e um conjunto de dois espelhos. O posicionamento da câmara e dos espelhos parecia de vital importância para a obtenção do fenômeno. O experimento com vídeo tinha duas partes: ainda com as luzes acesas, gravava-se 30 minutos antes do início da sessão mediúnica. Posteriormente, já com todas a luzes apagadas, gravava-se outros 15 minutos. Algumas imagens impressionantes foram obtidas assim: faces de Espíritos, imagens paranormais, luzes coloridas em movimento, etc.

Viagens e visitas:

O grupo conduziu com sucesso diversas sessões na Espanha, nos Estados Unidos, na Holanda, na Alemanha e na Irlanda. Além disso o grupo conduziu diversos seminários onde convidados podiam observar os fenômenos e discutir suas causas e implicações. O grupo também editou uma revista trimestral onde reportou seus avanços. Também publicou alguns livretos descrevendo o método por eles utilizado.
Energia Criativa:

Segundo a explicação dos próprios Espíritos as diferenças fundamentais entre Scole e os métodos tradicionais de obtenção de fenômenos físicos são:

1. O tipo de energia utilizado, chamado pelos Espíritos de energia criativa seria uma combinação de 3 fontes distintas de energia. A primeira seria a energia espiritual, trazida pelos Espíritos comunicantes. A segunda, chamada de energia humana, seria retirada dos corpos de cada um dos encarnados presentes às sessões. A terceira, chamada de energia da Terra, os Espíritos retirariam de reservatórios
de energia presentes em algumas áreas do planeta.

2. Com a utilização dessa nova energia os fenômenos podiam ser obtidos muito mais rapidamente e sem a necessidade de preparação especial.

3. A quantidade e variedade de fenômenos podia ser muito maior

Conclusão:

Em 5 anos de pesquisas, o grupo de Scole conduziu mais de 500 sessões mediúnicas com fenômenos ocorrendo em todas elas. Cada sessão foi gravada em fita e mais de 200 delas foram acompanhadas por cientistas e pesquisadores. Como resultado desse esforço os pesquisadores da SPR ,Mortague Keen, Arthur Ellison e David Fontane escreveram um extenso relatório (The Scole Report) confirmando a autenticidade dos fenômenos por eles testemunhados. A SPR seguindo a linha de não concluir coletivamente, não considerou Scole como uma prova conclusiva da imortalidade.

Ao tomar conhecimento de Scole confesso que fiquei surpreso em saber que tais desenvolvimentos tenham ocorrido a tão pouco tempo (década de 1990) e que não tiveram quase nenhuma repercussão no meio espírita brasileiro. Afinal é muito bom saber que os avanços no campo das pesquisas psíquicas e da sobrevivência da alma continuam ocorrendo e acompanhando a evolução da ciência.

Bibliografia e para saber mais:

Livros:

- Soloman, Grant & Jane (1999). The Scole Experiment. Scientific
Evidence for Life After Death ; Londres: Judy Piatkus, 1999

- Keen, Montague, Ellison, Arthur and Fontana, David (1999). The Scole
Report. An Account of an Investigation into the Genuineness of a Range
of Physical Phenomena associated with a Mediumistic Group in Norfolk,
England. Proceedings of the Society for Psychical Research, Vol. 58,
Part 220, November 1999.

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Scole - O Que os Críticos Aceitarão como Evidência?

Por Montague Keen,2002
(Traduçao de Mauricio Mendonça)

DOIS ANOS passaram-se desde a publicação de O Experimento Scole [The Scole Experiment] de Grant e Jane Solomon, e do robusto tomo O Relatório Scole [The Scole Report] publicado pela Society Psychical Research: tempo bastante, alguém pensaria, para poder avaliar qual impacto eles teriam agora que a poeira baixou, e notar até onde as reivindicações feitas pelo ou a favor do Grupo Scole e seus investigadores ou em seu nome resistiram ao teste do tempo.

Você recordará o estranho episódio do cachorro que não latiu à noite, levando Sherlock Holmes a farejar uma pista canina de alguma ação covarde: bem, isto vale também para Scole, os debates que se seguiram à publicação do nosso relatório concentraram-se quase que exclusivamente sobre a autenticidade do fenômeno. Isto é o que nós não tínhamos desejado e nem planejado.


Bem antes do fim de nossa inesperadamente truncada série de sessões entre 1995 e 1997, ficou claro para os três principais investigadores, e co-investigadores como o Dr Hans Schaer e Walter e Karen Schnittger, que fraude ou engano inconsciente não era uma opção. Então seguiu-se que devíamos nos concentrar nas questões realmente importantes. Estas eram uma avaliação da teoria de que tudo poderia ser explicado de alguma forma ampliada da assim chamada hipótese super-psi, que atribui tudo às atividades da psique humana, individual ou coletiva; ou então a alguma forma de inteligência desencarnada.

Para a maioria dos leitores do Spiritual Scientist, para quem a presença e influência da personalidade espiritual é tão real quanto seu mingau pela manhã, isto pode ser uma questão irritantemente obtusa. Mas a verdade é que o mundo além do local das seções e dos locais de encontro de espiritualistas permanece positivamente hostil à evidencia.

Para muitos crentes, esta é uma questão indiferente. Eles encontraram a verdade como parece ser para eles; eles descobriram uma fonte de certeza, conforto, direção e ajuda em que os menos afortunados ou mais obtusos tem eles próprios negados, e estão satisfeitos cultivando o seu próprio jardim e não procuram fazer proselitismo, ou mesmo protestos.

Esta foi a visão fortemente expressada seis ou sete anos atrás pelo Noah´s Ark Society. A resistência à investigação por aqueles que buscam se intrometer em suas seções privadas foi tanto comum quanto perfeitamente compreensível. Entretanto, para aqueles de nós amaldiçoados com uma curiosidade insaciável, e irritados pela maneira com que os ombros frios do estabelecimento científico lida com o que acha inconveniente ou perturbador, há um compromisso para pôr a batalha a um domínio público. Esta é uma razão por que o Grupo Scole foi ao mesmo tempo tão corajoso e tão incomum. Eles e seus espíritos guias sentiram que tinham uma obrigação para com seus companheiros seres humanos, os quais foram bem além de sua vida privada e conforto pessoal.

Eu tive uma posição privilegiada para apreciar o resultado de O Relatório Scole. Seu conteúdo foi intensivamente revisado, embora não tenha sido publicado nas colunas de impressos científicos ou em anúncios respeitados. Mas os céticos certamente usaram cada oportunidade e incentivo para subverter nossos dados por produzir evidências, não importando quão circunstancial ou débil, que nós examinados. O jornalista capaz de desenterrar um pedaço incriminador de evidência de fraude, em qualquer estágio, tempo, lugar ou circunstância, fá-lo-ia certamente nas manchetes, e garantido um lugar honrado para ele próprio nos anais dos caçadores de fraude.

Mas o que aconteceu bate com o comportamento do cão de caça de Sherlock: silêncio. Centenas de pessoas assistiram a sessões em meia dúzia de países por vários anos, não somente na vila de Scole. Nem ao menos uma voluntariou-se para apoiar aos críticos. Pelo contrário, nenhuma simples peça de evidência que veio a mim produziu algo que subverta a integridade do Grupo Scole ou a autenticidade da evidencia de um extraordinário conjunto de fenômenos físicos - um conjunto sem precedente na história de manifestações espíritas.

Isto é ainda mais notável porque eu saí do meu meio para chamar a atenção para tal evidencia. Falei em vários encontros e conferências aqui e no exterior, fazendo repetidas questões ao vivo, junto com a venda de números consideráveis de cópias do relatório. Ainda sem nenhuma evidência de fraude.

Os críticos argumentam que, fossem as evidências ainda mais impressionantes, e desprovidas da mera possibilidade de fraude, eles teriam sido derrotados. Mas a história não permite nenhuma sustentação para tal procedimento. A literatura das comunicações mediúnicas em geral, e os registros da investigação do fenômeno psíquico em particular, fornece amplos exemplos de casos onde a fraude é claramente descartada, e somente a noção de uma cuidadosa conspiração manipulada entre todos os interessados, principalmente os investigadores e testemunhas, pode ser atribuída para a explicação de tudo.

O argumento mais comum para dar suporte aos críticos é que avanços científicos requerem a replicação: feitos em um laboratório diferentes, por diferentes experimentadores, e assim superando-se as dúvidas iniciais. Fazendo novamente em um terceiro ou em dezenas de laboratórios, e teria-se tirado todas as dúvidas dos críticos. Muitos pesquisadores psíquicos, e não poucos espiritualistas, possuem esta visão. Mesmo Sra. Emily Bradshaw, nossa prudente, espirituosa e carismática informante durante as consultas de Scole, disse que replicação é o que nós queremos.

Mas não é, porque não é possível. O choro repetido por replicação é baseado no falso entendimento da natureza das experiências psíquicas. Replicação implica em um completo controle todos os parâmetros de um experimento. O experimentador deve conhecer tanto a temperatura, umidade, tamanho, pressão, peso, etc., que será requerido. Qualquer mudança em uma desses variáveis pode destruir o experimento e falsear os resultados. Esta é a ciência ortodoxa. Funciona perfeitamente bem para a finalidade para a qual foi projetada. Mas é completamente inapropriada para o mundo psíquico. Nele nós temos pouco ou nenhum controle sobre os parâmetros. Nós não podemos nem estar certos do que eles são, deixando de lado seu funcionamento. Uma tentativa de replicação é imediatamente sabotada pelo efeito do experimentador: o fato de que a personalidade, a atitude, as vibrações do próprio sabem-se possuir um efeito no resultado. Estranho dizer que isto foi demonstrado há quase meio século em um experimento clássico conduzido por G.W. Fisk , disse um crítico do Relatório Scole, Professor Donald West. Nós raramente podemos dizer, quanto mais determinar, quando a voz originada de um espírito ou fenômeno irá ocorrer, ou qual forma ele terá.

Este não é um debate inócuo, acadêmico. Se você examinar os notáveis experimentos conduzidos no último ano (e ainda prosseguindo) pelo Professor Gary Shwartz e seus colegas na University of Arizona com cinco médiuns talentosos, você verá que ele produziu evidência estatisticamente acima do esperado de suas habilidades, sob condições que excluem a leitura fria, impressão sensorial, conhecimento prévio e similar, identificando um número de parentes falecidos de um participante selecionado desconhecido. O registro publicado disto (pela Society for Psychical Research) foi voltado para alegações de que seu sistema de controle pode permitir o erro. Suas experiências posteriores procuraram liquidar quaisquer de tais reservas. Nós agora fomos convidados a replicar os resultados que ele conseguiu. O que é impossível, porque mesmo que pudéssemos trabalhar com os mesmos médiuns, eles teriam que trabalhar com sujeitos diferentes, operar em um ambiente diferente, com experimentadores diferentes emanando diferentes vibrações.

Deve-se dizer que a replicação é um dispositivo apropriado dentro da estrutura de mundo tri-dimensional que assenta nossa experiência cotidiana e requisitos. A introdução de um mundo espiritual dentro do nosso domínio físico imediatamente nos leva a um diferente conjunto de incertezas. O experimento Scole é inerentemente incapaz de replicação. Nós nunca poderemos recapturar as mesmas pessoas, espíritos comunicadores ou o ambiente físico que possua as características dos participantes.

O que nós podemos fazer é mostrar que fenômenos físicos comparáveis podem ser produzidos por outros, em outro local, mas sob condições de controle igualmente firmes ou mesmo ainda mais rigorosas. Estranho dizer, que nós temos alguma evidência. Meu desejo é que seja publicado durante 2002. Na maior parte dos aspectos não chegou nem perto da variedade ou da inteligência da transmissão oral e psíquica que os pesquisadores experimentaram em Scole; mas em um ou dois aspectos, as condições nas quais os fenômenos foram produzidos foram mais impressionantes do que as que prevaleceram com o Grupo Scole. Isto foi na produção de imagens no escuro de câmeras Polaroid com lentes seladas.

O que acontecerá quando tal evidência for publicada? Você pensaria (se você for suficientemente ingênuo) que os céticos imediatamente reconheceriam sua derrota e que correriam para abraçar a nova verdade, dedicados como são em aceitar a supremacia da evidência sobre a teoria. Minha previsão é que eles responderão com sua mais efetiva arma: silêncio total.

Não fique desanimado ou surpreso por essa previsão pessimista! É importante apenas entender porque os céticos se retiram em suas conchas materialistas quando encaram as evidências que fazem um furo gritante em suas barrigas intelectuais. Assim como o nosso corpo agrupa automaticamente seus mecanismos de defesa para repelir uma invasão de um corpo estranho, assim a mente reage similarmente. Inicialmente irá procurar uma falha na evidência; mas em não encontrando, então o resultado pode tomar um ou duas formas. Uma é conhecida como dissonância cognitiva, a encantadora capacidade da mente de inicialmente reconhecer a verdade de algum evento miraculoso demonstrado sob os seus olhos, mas que mais tarde um dia ou dois rejeita a experiência como incompatível com a inalterável verdade da experiência prática. A outra é o silêncio.

Ocasionalmente alguém pode tentar abrir os céticos de sua concha lançando um desafio. Eu fiz isso com uma das mais bem conhecidas e talentosas céticas nesse ramo: Dra. Susan Blackmore. Ela estava presente quando falei sobre o Relatório Scole, e do resultado na conferência anual da SPR em Northampton em 2000. De fato, eu assisti sua leitura pouco depois. Não muito depois, no anúncio de sua saída de cena após trinta anos de tentativas vãs em descobrir alguma evidência da existência de um sentido psíquico, ela escreveu um artigo na New Scientist no qual ela refere-se de passagem ao ‘infame’ Relatório Scole. Aquela foi a única vez que ela mencionou algo sobre o relatório, pelo meu conhecimento. Eu então a convidei para comentar sobre um celebrado caso o qual me pareceu ser uma forte evidência, não meramente de comunicação de origem paranormal entre dois médiuns como no início do último século, mas de sobrevivência do comunicador falecido. Ela declinou ostensivamente, dizendo que já tinha deixado o campo. Quando eu sugeri que seu ceticismo havia feito grandes danos ao assunto, e que ela tinha consciência disto, bem como a aqueles que tinham aceito a sua autoridade, para dar alguma explicação do caso, ela continuou a negar. Eu posso acrescentar que lancei esse desafio sob os narizes de uma audiência cética maior, até então sem nenhum proveito.

É imprudente subestimar, ou desprezar, a força de sistemas de crença os quais aderem como lapas [gênero de moluscos] em nossa consciência, ou imaginar que uma constante inundação de evidência do paranormal mudará as suas atitudes. Somente quando os cientistas como um corpo se encontrarem forçados a confrontar e a explicar a evidência tão impressionantemente poderosa que ignoram o que é um claro sinal de covardia intelectual, o progresso se dará.

Mas nós estamos trabalhando nisso. E quando nós chegarmos lá, a contribuição histórica do Grupo Scole para alargar a compreensão do homem sobre seu ambiente espiritual e físico será reconhecido.

Montague Keen

Jornalista, administrador agrícola, redator de revista e fazendeiro. Um membro do Conselho da Sociedade para Pesquisa Psíquica por 55 anos, presidente do Imagem e Comitê de Publicidade e secretário de seu Comitê de Pesquisa de Sobrevivência, ele foi o investigador principal do Grupo de Scole de médiuns físicos, e autor do Relatório de Scole, publicado nos Processos do SPR (Vol 54 Pt 220) em 1999 com seus co-investigadores Professores Arthur Ellison e David Fontana. http://www.survivalafterdeath.org/articles/keen/critics.htm


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pensamentos Sobre o Declínio dos Maiores Fenômenos Paranormais

por Ian Stevenson, 2004
Resumo
Os maiores fenômenos paranormais, definidos como fenômenos detectados somente pelos sentidos sem a necessidade do uso da estatística, diminuíram nas publicações contemporâneas da Sociedade comparadas com as publicações de suas primeiras décadas. A falta de relatórios de tais fenômenos importantes pode refletir o interesse diminuído neles da parte dos investigadores, a maioria dos quais virou sua atenção para as experiências de laboratório que extraíram resultados marginais exigindo análise estatística. No entanto, parece possível que os fenômenos importantes ocorrem menos freqüentemente no Oeste hoje do que anteriormente. O ceticismo derivado do materialismo filosófico pode inibir normalmente a ocorrência de fenômenos paranormais importantes. Também pode inibi-los por processos paranormais. As fontes bem promissoras de fenômenos paranormais importantes hoje podem estar em países industrialmente pouco desenvolvidos, entre alguns indivíduos especialmente dotados, e em certas experiências raras, tal como as de pessoas que ficam próximas da morte e se recuperam.

A atemorizante possibilidade de tentar entregar um discurso presidencial de alguma forma digno de colocar na mesma prateleira com os discursos prévios impeliram-me a ler, em meses recentes, muitos dos discursos que eu previamente não tinha estudado.Ao fazer isto prestei particular atenção às avaliações dos oradores das realizações da Sociedade. Embora eu não tenha feito nenhuma tentativa de classificar os oradores numa escala de otimismo contra pessimismo em seus julgamentos dos trabalhos da Sociedade, eu observei que vários expressaram enfaticamente otimismo sobre o resultado de nossos trabalhos. Eu não me refiro à confiança no mérito da empresa, mas às afirmações de êxito. Nas décadas entre 1910 e 1980 ao menos seis Presidentes afirmaram que a telepatia foi provada ou quase então (Flammarion, 1923-24;McDougall, 1920; Prince, 1930-31; L. E. Rhine, 1982; Salter, 1946-49; e Smith, 1910).

Alguém pode perguntar por que, se telepatia foi provada em 1910, Presidentes posteriores pensaram ser necessário reiterar tão freqüentemente a reivindicação em anos subseqüentes. Posso pensar em duas razões de por que eles sentiram necessidade para renovar tal afirmação. Primeira, cada geração de investigadores, talvez a cada década deles, acreditou-se que seus métodos eram superiores aos de seus predecessores. Isto implicou na tentação de sugerir, ou mesmo dizer abertamente, algo como: "Nossos precursores pensaram que eles tinham evidências sólidas de fenômenos paranormais, mas seus métodos eram brutos comparados com os nossos. Nós finalmente provamos a realidade destes fenômenos." Segundo, eles sabiam que o que eles e as audiências de seus discursos consideravam como prova não parecia assim para a maioria dos cientistas. O restante do mundo não tinha ouvido, ou não tinha escutado se ouviu. Eles precisavam ouvir novamente. Infelizmente, a necessidade ainda existe.

Nossa incapacidade de convencer números maiores de pessoas educadas, especialmente cientistas, de levar seriamente nossos esforços e realizações parece mais que uma decepção; agora pode ser uma fraqueza fatal. Até a geração presente novos recrutas em pesquisa psíquica sempre pareceram disponíveis para encher os lugares de investigadores que morreram; e por tempo pareceu que o estudo de fenômenos paranormais criava raízes nas universidades. No entanto, nós devemos admitir que hoje a pesquisa psíquica quase se foi das universidades, ao menos no continente Europeu e na América do Norte. Mesmo no Reino Unido, a pesquisa psíquica está quase extinta nas universidades ao sul de Tweed. Nós não ganhamos o interesse de investigadores mais jovens bem-qualificados com novas idéias em números suficientes para suceder esses de nós cujas idéias necessitam ser substituídas por outros insights e melhores métodos.

O declínio durante décadas recentes na aceitação de nossas realizações—mesmo da legitimidade de nossos esforços—da parte de outros cientistas deve ter várias causas. Escrevi em outra parte sobre o que eu acredito ser uma das menos importante destas causas, a saber o esforço desencaminhado para identificar uma disciplina separada da ciência chamada parapsicologia (Stevenson, 1988). No entanto, este não é meu tema neste discurso. Em vez disso, eu desejo sugerir outras causas do efeito do declínio na pesquisa psíquica. Eu penso que de longe o mais importante destas causas é nossa incapacidade de observar e informar fenômenos paranormais maiores. Aqui realço a palavra maiores, o que significa um fenômeno tão forte que nós não necessitamos de nenhuma estatística para sua demonstração. Especificando ainda mais o que eu penso sobre o assunto, direi pouco sobre os fenômenos físicos e considerarei principalmente casos (mentais) espontâneos, mediunidade mental, e as façanhas de clarividentes sensíveis raramente dotados. Os volumes dos primeiros anos até a metade do século XX de nossas publicações da Sociedade contêm numerosos relatórios de fenômenos maiores cuidadosamente investigados incluídos sob estas categorias, e eu desejo endereçar a questão de por que que nós publicamos pouco ou nada deste tipo hoje.

Alguns de meus ouvintes e leitores podem perguntar se um retorno de tais fenômenos maiores melhoraria a sorte da pesquisa psíquica. Afinal de contas, se estes fenômenos não conseguiram levar convicção para fora de um círculo claramente estreito antes, por que conseguiriam hoje? É uma boa questão, e a ela eu só posso responder que os fenômenos menores que exigem estatística para sua demonstração certamente não animam o interesse entre cientistas modernos, e talvez os fenômenos maiores animariam. Uma pesquisa feita por McClenon (1984) de "cientistas de elite” oferece algum apoio para esta visão. Ele achou que 29 por cento dos que responderam disseram que acreditavam em percepção extra-sensorial. No entanto, como base para sua crença, o dobro dos crentes citou a experiência pessoal como citadas nos relatórios em diários científicos. Além do mais, entre os 351 cientistas que responderam ao questionário de McClenon só nove citaram um diário em nosso campo como uma fonte de informação sobre o assunto. Nós não somos justificados em acreditar da informação disponível de que os cientistas de elite pesquisados por McClenon experimentaram o que eu penso serem fenômenos maiores, embora com algum deles possa ter sido assim. Podemos, no entanto, acreditar que eles seriam mais impressionados por tais fenômenos maiores, se nós os pudéssemos relatar, ao invés dos atuais resultados marginais da maioria das experiências de laboratório que exigem estatística para sua demonstração.

A seguir vamos à distinção entre o relato de fenômenos e a ocorrência deles. A penúria dos relatórios de tais fenômenos maiores pode refletir nada mais que a falta de interesse ou a falta de recursos para investigações da parte dos pesquisadores psíquicos. Ou há um declínio real na ocorrência dos fenômenos. Ou ambos estes fatores podem ser presentes.

Podemos argumentar que a atenção preponderante dada em nossos diários a estudos experimentais comparados com os relatórios dos fenômenos maiores reflete uma falta de interesse no último da parte dos investigadores. Um declínio do interesse nos fenômenos maiores parece ter ocorrido durante a década de 1930, quando eram ainda mais abundantes do que são. Vale perguntar por que isto ocorreu.

Várias causas podem ter contribuído para os investigadores terem menor interesse nos fenômenos maiores do que tinham anteriormente. Condições econômicas podem tê-los afastado dos casos espontâneos, estes eram mais onerosos do que as experiências eram, ao menos nos primeiros dias da moda das experiências.

Talvez os pesquisadores tenham ficado com medo dos fenômenos. Eisenbud (1983), Tart (1984) e White (1985) sugeriram que pesquisadores psíquicos têm medo de reconhecer (e portanto medo de observar) os vastos poderes paranormais os quais eles supõem ao menos algumas pessoas são capazes. Quem quereria acreditar que somente pelo pensamento se poderia mover montanhas, matar um vizinho, ou afundar o Titanic? Este argumento parece baseado em suposições ao invés de evidências. Além do mais, isso deve incluir um julgamento de descrédito nosso comparado com o de nossos predecessores, porque certamente os investigadores do décimo-nono século e alguns dos primeiros anos deste século não hesitaram encontrar mesas e pessoas que levitaram assim como a aparência ou a realidade de materializações completas do morto.

Parece a mim que os pesquisadores psíquicos das últimas duas gerações tinham menos receio dos fenômenos maiores do que da desaprovação de colegas em outros ramos de ciência. Isto levou muitos deles a imitar psicólogos, que, em seus laboratórios, tentavam imitar os físicos e os químicos nos seus. A ênfase desequilibrada em experiências de laboratório que agora prevaleceu entre duas gerações de pesquisadores psíquicos necessita correção, como argumentei em outra parte (Stevenson, 1987). Ficamos limitados tendo menos relatórios de fenômenos paranormais maiores se temos menos investigadores interessados em estudá-los e informá-los. Além do mais, a pobreza de cientistas conhecidos em tomar interesse nestes fenômenos significa que as pessoas tendo experiências paranormais possuem pouca informação sobre pessoas profissionais qualificadas a quem eles possam descrever o que experimentam. Também, pessoas que têm ou que pensam que podem ter sensibilidades especiais ou capacidades mediúnicas não têm quase ninguém qualificado na pesquisa psíquica a quem eles possam se voltar para estímulo e direção.

Não obstante, eu não acredito que podemos atribuir o declínio no relatório de fenômenos paranormais inteiramente à falta de interesse da parte de investigadores, quaisquer fatores que possam ter contribuído a essa falta. Também, algum declínio no interesse dos investigadores de agora pode resultar de uma queda na quantidade e qualidade dos fenômenos disponíveis para estudo. Para julgar a verdade desta conjectura nós temos dados de confiança pequenos. Posso garantir a vocês que as reivindicações dos fenômenos maiores que permitem investigação não cessaram por completo, porque nossa unidade na Universidade de Virginia continua a ser notificada deles de vez em quando. No entanto, nossos informantes não são uma amostra casual, tanto porque têm a iniciativa de telefonar ou escrever a nós quanto porque sabem de nossa existência em primeiro lugar. As pesquisas conduzidas durante décadas recentes (Haraldsson, Kalish e Reynolds, 1973; Palmer, 1979) contam-nos que a proporção da população geral que acredita que experimentaram algum fenômeno paranormal não declinou em relação ao encontrado em pesquisas anteriores (Sidgwick, H. e Committee, 1894; West, 1948). Infelizmente, as pesquisas modernas extraíram relatórios de crenças sobre experiências paranormais, mas não evidências de que as experiências informadas são paranormais. Haraldsson (1988-89) é o único avaliador moderno de experiências psíquicas que também investigou algumas reivindicações que seus respondentes fizeram. Na Islândia, ao menos, aparições verídicas e coincidentes com a morte parecem ser informadas com uma freqüência não apreciavelmente menor do que observado na Inglaterra do décimo nono-século (Sidgwick, H. e Committee, 1894). No entanto, eu acredito que a Islândia pode não ser típica de países Ocidentais, e eu penso—reconhecidamente em evidência insuficiente—que um declínio real de fenômenos paranormais maiores ocorreu no Ocidente durante este século. No restante deste discurso, eu proponho aceitar esta suposição e considera algumas possíveis razões para este declínio.

Teorias físicas sobre a natureza da percepção extra-sensorial foram propostas desde o décimo nono século passado (Barrett, Gurney e Myers, 1882); elas alcançaram alguma proeminência com as conjeturas de Berger (1940) e em anos recentes ficaram na moda. Ganharam muitos aderentes sem ganharem aceitação universal entre pessoas cujas opiniões nós devemos respeitar. Se fôssemos decidir que alguma característica física, tal como a freqüência extremamente baixa das ondas eletromagnéticas (Persinger, 1987), correlacionadas com segurança com as manifestações de percepção de extra-sensorial, nós podemos decidir que o aumento recente durante décadas de "poluição eletrônica" (Fox, 1988) (ao menos em regiões tendo muito equipamento eletrônico) foi uma causa importante do declínio dos fenômenos paranormais maiores. Isto nos levaria a esperar que manifestações de percepção extra-sensorial variariam de região a região com diferenças na quantidade de poluição eletrônica. Infelizmente, com nossos recursos magros presentes nós não podemos empreender um projeto da magnitude necessária para adequadamente testar esta hipótese.

Reconheço em mim um preconceito contra teorias físicas de percepção extra-sensorial, porque acredito que nós a podemos entender melhor por um conceito dualista de cérebro e mente que permite que as mentes, sob certas circunstâncias, comuniquem-se diretamente uma com a outra (além dos meios físicos conhecidos de comunicação). Assim, minha procura para causas no declínio dos fenômenos paranormais maiores concentrou-se em possíveis explicações psicológicas. Tentei pensar em que características da vida ocidental agora diferem das que existiam há cem anos e de que está em outras partes do mundo hoje. Considerarei as mudanças que parecem a mim importante sob dois tópicos, de processos normais e paranormais.

Os processos normais que eu promovo dividem-se em mudanças em nossas condições e na maneira de vida e mudanças em nossas atitudes. Fazendo exame do primeiro, penso que aprendemos do estudo de casos espontâneos a importância para sua ocorrência tanto do amor quanto da morte. Os participantes são quase sempre pessoas tendo bônus de afeto, e o acontecimento comunicado a maioria é de freqüentemente algo que coloca em perigo o agente. Podemos dizer que o percipiente tem uma necessidade de saber o que acontece ao agente e o agente uma necessidade de deixar o percipiente saber (Murphy, 1943).

Quando a comunicação normal é impraticável, a necessidade para comunicações paranormais aumenta. Os autores de Phantasms of the Living (Gurney, Myers e Podmore, 1886) podem não ter compreendido que morte violenta ocorria freqüentemente entre os acontecimentos comunicados nos casos informados em seu grande trabalho. Ao menos eles não chamaram atenção para o fato. Não obstante, entre os 314 casos de Phantasms envolvendo morte, esta tinha ocorrido violentamente em 28 por cento. Além do mais, entre aproximadamente dois terços dos casos em que morte tinha ocorrido naturalmente achamos que em um terço a morte tinha ocorrido repentinamente (Stevenson, 1982). (Definimos uma morte como "repentina*' se ocorreu dentro de 24 horas em que a pessoa morta se achava bem ou ao menos, se doente, em nenhum perigo de morrer.) Uma morte violenta no décimo nono século era quase sempre também uma repentina, e, se isto é correto, então quase 53 por cento das mortes envolvidas nos casos de Phantasms ocorreram repentinamente. Além do mais, as pessoas relacionadas freqüentemente estavam separadas fisicamente por distâncias longas e as comunicações normais eram, por padrões modernos, extremamente rudes. (O telégrafo não foi adequadamente desenvolvido até a segunda metade do décimo nono século, e o telefone não até seu último quarto.) A lentidão e às vezes a impossibilidade de uma comunicação normal iria, acredito, aumentar a necessidade de ter uma paranormal. Nos cem anos desde a fundação da nossa Sociedade as comunicações interurbanas normais melhoraram grandemente. Os avanços nos cuidados médicos e sua melhor instalação também resultaram em atrasos nas mortes violentas, de modo que embora mortes violentas ainda ocorram, elas não são tão capazes de ser repentinas como elas uma vez o foram. Estas mudanças, eu sugiro, reduzem a necessidade para uma pessoa que morre violentamente, ou que acidentalmente é ferida, a se comunicar paranormalmente com aqueles que ama.

A necessidade de se comunicar paranormalmente portanto diminuiu. Podemos dizer que o desejo de se comunicar declinou também? Disse acima que os percipientes e agentes em casos espontâneos quase sempre são ligados por um relacionamento amoroso. Ninguém achou um meio de medir o amor, mas certos indicadores sociais, tais como o índice de aumento do divórcio, do crime, e talvez do abuso de crianças, sugere para mim que a nossa sociedade tornou-se, no total, mais egoísta, isso é, amando menos do que ao menos algumas sociedades de outras vezes e lugares. Sendo assim, isto pode ser outro fator no declínio em comunicações paranormais.

Uma terceira característica normal da sociedade Ocidental que mudou notadamente durante os cem anos passados é o crescimento do materialismo filosófico. A maioria dos cientistas, por exemplo, acreditam no materialismo tão inquestionavelmente quanto eles acreditam na astronomia de Copérnico. Uma pesquisa da crença em vida depois que morte conduzida em 1981 mostrou que nos Estados Unidos 67 por cento da população geral acredita em vida após a morte, ao passo que só 32 por cento dos principais médicos e só 16 por cento dos principais cientistas (não-médicos) acreditam (Gallup, 1982). A maioria de nós somos provavelmente familiares com o predomínio do materialismo entre cientistas. O que não é suficientemente reconhecido é que, embora aproximadamente dois terços dos respondentes entre o público geral acredita em vida depois da morte, quase um terço não acredita. É a essa minoria substancial que eu desejo chamar a atenção. Eu não sou familiar com quaisquer pesquisas de crença em vida depois da morte do décimo nono século, e eu penso não há nenhuma. No entanto, uma pergunta colocada sobre a crença em vida depois da morte teria chocado quase todos os respondentes desse tempo. O estudo de Galton da eficácia da oração das pessoas assumiu que a maioria foi à igreja, orou quando estava na igreja, e acreditou — algumas vezes talvez só superficialmente — no poder de suas orações para conservar a vida do soberano britânico (Galton, 1883). Penso que nós podemos supor também que todo o mundo que se empenhou em orações para o soberano acreditou que o soberano tinha uma alma que sobreviveria à morte física; e acreditavam o mesmo de si.

Algumas pessoas podem segregar crenças sobre aspectos diferentes de existências não materiais e acontecimentos. Isto seria particularmente possível de ser verdade de pessoas que fizeram um estudo especial de fenômenos psíquicos. Sabemos que ao menos dois (e provavelmente mais) Ex-presidentes da nossa Sociedade acreditaram em cognição paranormal mas não na sobrevivência da personalidade humana depois de morte (Dodds, 1934; Richet, 1922). No entanto, eu penso que os membros do público geral normalmente não fazem tal distinção. Para a maioria deles, uma crença em vida após a morte quase implica uma crença em milagres, tal como os fenômenos descritos na Bíblia, e também uma crença no que nós chamamos cognição paranormal. Contrariamente, membros do público geral que não acreditam em vida depois da morte são prováveis também de serem céticos sobre todos os tipos de fenômenos paranormais, o reconhecimento que implicaria para eles uma alma que sobreviveria à morte corpórea. Se estas suposições são justificadas, podemos concluir que a crença em fenômenos paranormais declinou durante o século passado. (Compreendo que isto é contrário ao que as pesquisas que eu citei anteriormente sugerem.) As crenças influenciam expectativas, e numerosas experiências na psicologia mostraram que expectativas influenciam percepções (Allport e Kramer, 1946; Dixon, 1981). Isto também deve ser verdade quanto a percepções extra-sensoriais. Um descrente em assombrações é menos provável de ver uma do que aquele que é crente. Algum descrentes podem ver assombrações apesar de seu ceticismo, mas o efeito total de um ceticismo aumentado seria reduzir o número de pessoas sensíveis a assombrações e para outras experiências paranormais também. Além do mais, a incredulidade pode causar o abandono de uma experiência paranormal que ocorre por interpretação rápida dela como "apenas uma alucinação" ou "só uma coincidência". Da conseqüente redução, tanto da percepção de experiências paranormais quanto de seu reconhecimento que são paranormais quando ocorrem, menos delas seriam informadas.

As indicações de interferência com fenômenos paranormais podem ser excedidamente difíceis de detectar. Para ilustrar este ponto, eu mencionarei uma observação de nosso estudo das características de pessoas que reivindicaram lembrar-se de experiências quando se recuperavam de estarem próximas da morte. Greyson e eu (1980) descobrimos que tais pessoas eram muito mais prováveis de dizer que tinham tido o que eu chamo de fenômenos avançados destas experiências, tais como encontrando pessoas mortas ou "seres de luz", quando sua crise próxima da fatalidade ocorreu em casa ou ao ar livre do que se ocorresse num hospital ou outro lugar público. Quero realçar que eu supervisionei completamente a importância deste achado durante anos vários, até que aconteceu de eu ter a ocasião para revisar nossos dados e repentinamente compreender a possível importância desta correlação. Por muito tempo eu pensei que as tentativas de alguns cientistas [experimenters] de simular em seus laboratórios uma atmosfera de lar profundamente pondo em cadeiras estofados e algumas impressões bem conhecidas de pinturas de Picasso eram puramente ridículas. Para alcançar esta ridícula sala de estar, os indivíduos de tais cientistas [experimenters] normalmente teriam que atravessar meia milha do hospital ou outros corredores institucionais que eficientemente lhes diriam que estavam longe de casa. Os resultados de nossa comparação entre as experiências de pessoas tendo crises próximas da fatalidade em seus lares e nos seus hospitais confirmou-me em meu preconceito contra o uso de laboratórios para estudar fenômenos paranormais, com exceção de alguns propósitos restritos.

Em seguida considerarei a possibilidade que o aumento do materialismo teve um efeito inibidor nos fenômenos paranormais por causas paranormais. Os críticos nos dizem que as alegações deles terem um efeito adverso nos fenômenos são meras evasões da verdade dolorosa de que eles melhoraram a vigilância e apertaram os controles, de modo que os supostos fenômenos não ocorrem na presença dos controles que eles recomendam. Isto pode ser verdadeiro em alguns exemplos, e eu nem de longe estou dizendo que nós não podemos aprender nada dos críticos. No entanto, por nossa parte obtivemos evidência abundante do efeito das crenças dos participantes no equilíbrio delicado para ou contra efeitos paranormais em situações experimentais (White, 1976). Uma atmosfera de crença completamente inadequada parece facilitar e de fato pode ser essencial para a ocorrência de fenômenos físicos paranormais (Batcheldor, 1966; Owen and Sparrow, 1976), e penso que isto pode ser igualmente verdade quanto a fenômenos paranormais mentais. Se a crença facilita-os, a incredulidade pode bloqueá-los, como os experimentos de Schmeidler (1943 A, 1943 B) mostraram há muitos anos.

Uma pessoa adversamente afetando uma experiência de percepção extra-sensorial não necessita estar fisicamente presente com o percipiente. Schmeidler (1961a, 1961b) mostrou que as contagens de percipientes em cartões-adivinhatóreios tenderam a ser altas ou baixas de acordo com o desejo do agente do percipiente prosperar ou fracassar. Algumas experiências mesmo sugerem que influências desfavoráveis podem não alcançar o nível de um desejo evidente que o percipiente venha a fracassar; qualidades negativas muito mais sutis podem entrar em jogo (West and Fisk, 1953). Várias experiências, principalmente do final do décimo nono século, demonstraram uma capacidade de certos indivíduos de serem postos para dormir por sugestão dirigida a eles de uma distância longa (Adams, 1849-50; Janet, 1886a, 1886b; Richet, 1886; Vasiliev, 1976). Há mesmo casos registrados cuja autenticidade que nós não temos nenhuma razão para duvidar de pessoas tendo morrido repentinamente depois que desejou-se a morte delas a uma certa distância, as vítimas estando inconscientes do desejo fatal apontado para elas (David-Neel, 1961; Rosa, 1956). Estas observações asseguram-nos pensar que a incredulidade pode inibir a ocorrência dos fenômenos cuja existência autêntica é negada.

Fiz um diagnóstico e, como um médico deveria, eu também indiquei o que médicos chamariam etiologia, isso é, as causas. No entanto, eu estou lembrado agora da referência de Hilaire Belloc com desprezo para os médicos que

...responderam, enquanto pegavam seu pagamento,
não há nenhuma cura para esta doença.

Portanto, devo propor algum remédio. Nós não podemos—digo com algum pesar—retornar a todas as condições como estavam no Ocidente há um século. No entanto, nossos estudos podem beneficiar-se de um novo ciclo de crença em fenômenos paranormais. Talvez a onda atual de credulidade em direção a supostos fenômenos paranormais que nós vemos entre muitos membros do público geral, e da qual a maioria de nós deplora, pode, pelos processos que eu conjecturei, mais uma vez facilitar a ocorrência dos fenômenos paranormais maiores.

Deixem-me, no entanto, sugerir três outros meios de achar fenômenos paranormais maiores hoje. Primeiro, podemos ir aos países agora chamados pouco desenvolvidos. Eu quero dizer a maioria da Ásia e África, onde as condições sociais estão em muitos aspectos semelhantes às do Ocidente no décimo nono século ou talvez no décimo oitavo século. Nestas regiões as comunicações normais ainda dependem em grande parte da transmissão boca a boca. Os próprios pés e talvez a carreta puxada por bois sejam os principais meios de movimento de um lugar a outro nas partes rurais. Os laços familiares permanecem estreitos[3], todo o mundo acredita na realidade de telepatia, e os mortos acredita-se que sobrevivem e às vezes são capazes ainda de intervir em assuntos terrestres. As comunicações normais assim prejudicadas existem junto com um desejo ainda forte de se comunicar com outras pessoas amadas e uma crença comum nessa comunicação paranormal é possível. Nestas regiões os fenômenos paranormais importantes são ditos ainda ocorrer abundantemente.

Eu mesmo não tive nenhuma experiência pessoal com quaisquer outras formas de fenômenos paranormais na Ásia e África que as das crianças que reivindicam lembrar-se de vidas prévias, mas tenho muita experiência nestes casos. Eu freqüentemente perguntei-me por que nós encontramos tais crianças tão mais facilmente nessas partes do mundo que em outras partes. Uma primeira resposta óbvia a esta pergunta é que as pessoas destas regiões quase todas acredita em reencarnação, e esta crença de algum modo facilita e mesmo promove as narrações das crianças sobre vidas prévias. Isto certamente é verdadeiro, mas penso que é insuficiente como uma explicação sobre o que nós estamos tentando entender. Devem haver outros fatores contribuindo à ocorrência destes e outros casos de fenômenos paranormais aparentes na Ásia e África. Eu sugiro que uma causa é que as pessoas destas regiões ainda acham normal o que nós no Ocidente viemos a chamar paranormal. Se nós fóssemos aconselhar um jovem cientista entrando na pesquisa psíquica hoje, eu inverteria o conselho de Horace Greeley[4] para os jovens americanos da metade do décimo nono século e diria "Vá para o Leste, jovem[5]."

Minha segunda recomendação é uma procura cuidadosa por indivíduos especiais que tem capacidades paranormais raras e estão também dispostos a cooperar em investigações científicas. Nas últimas décadas várias pessoas com supostos ou auto-proclamados dons apareceram em nossa arena. Infelizmente, quase todas elas tenderam a tornarem-se figuras no mundo do entretenimento e da mídia ou receber e atrair um círculo (ou uma multidão) de fãs e seguidores pouco críticos. O primeiro resultado ocorre a maioria freqüentemente no Ocidente, o último a maioria freqüentemente na Ásia. Com ambas estas condições a pesquisa científica tranqüila fica arruinada [With both of them conditions for quiet scientific inquiry become ruined]. Mas nós não devemos nos desesperar. Nossos predecessores tiveram a boa fortuna de trabalhar com Eileen Garrett, Olga Kahl, Gladys Osborne Leonard, Stefan Ossowiecki, Eusapia Palladino, Leonora Piper, e alguns outros de sua qualidade. Eles vão seguramente serem vistos outra vez; algum deles mesmo pode estar entre nós agora, se os somente formos procurá-los. Não haverá resultados rápidos neste esforço. Pode tomar anos de peneiração antes de um investigador acha um indivíduo destacado e talvez alguns mais anos antes que as investigações com o indivíduo possam garantir uma publicação. Ainda assim, as recompensas deste esforço em termos de poder de conhecimento são imensas.

Minha última sugestão pode parecer parece como uma repreensão para apresentar aos membros da Sociedade, mas eu certamente não entendo-a como tal. Eu não posso, no entanto, deixar de dizer a vocês que em alguns aspectos o domínio da Sociedade para Pesquisa Psíquica [has broken up rather in the manner of the] Império Austro-Húngaro após a 1ª Guerra Mundial. Se fôssemos perseguir esta analogia nós poderíamos dizer que as regiões anteriormente seguradas sob uma soberania afirmaram sua independência e caminharam por suas próprias pernas. A saída do hipnotismo depois que recebeu ao menos um pouquinho de reconhecimento oficial da medicina não foi lamentado na Sociedade; alguns membros mesmo receberam ele como um sinal de progresso, porque os estudos de alguns de nossos membros anteriores, tais como Gurney, tinham significativamente contribuído para a legitimização da hipnose. Até então tudo bem. Considerem, no entanto, as seguintes categorias: curas raras, sonhos lúcidos, múltipla personalidade, experiências místicas ou religiosas, e experiências durante feridas quase-fatais e doenças. Cada um destes temas tiveram a atenção de nossos pioneiros, e relatórios deles aparecem nos primeiros volumes de a nossa Sociedade ou em publicações relacionadas por membros anteriores da Sociedade. E ainda hoje cada uma destas cinco categorias de pesquisa tem uma sociedade separada dedicada ao estudo especial de um tipo de experiência particular. [6]Eu não posso explicar por que isto ocorreu, mas eu lamento isto. Eu não penso que a separação, como eu vejo, destes territórios que nós primeiramente colonizamos seja benéfica tanto com relação a qualquer um dos pequenos estados recentemente criados ou à pátria mãe. Alguns daqueles que fundaram estas sociedades menores a mim parecem desencaminhados, e eles se podem achar mais isolados de outros cientistas do que nós.

No entanto, a nossa Sociedade pode ter sido tanto culpada quanto esses que não conseguiram achar um fórum apropriado para seus interesses. A Sociedade para Pesquisa Psíquica pode ter insidiosamente chegado a identificar o campo de seus esforços como mais estreito que ele uma vez foi ou agora outra vez deva tornar-se. Alguém mesmo pode dizer que a Sociedade começou a assemelhar-se a um capítulo particular dos Alcoólatras Anônimos nos Estados Unidos, que gradualmente tornou-se tão exclusivo que eventualmente negou sociedade a certos candidatos na base de que eles eram bêbados. Alguns dos grupos formados recentemente com interesses mais especializados que o nosso pode ter levado com eles, por assim dizer, alguns dos fenômenos maiores dos quais eu lamento o declínio em nossos relatórios.

Devemos perguntar a nós mesmos o que deve ser a tarefa da Sociedade na década restante deste século e em todas as décadas do próximo. Certamente continuando a agir como uma terceira força entre pessoas que são demais crédulas e as que são demais céticas. Se mantivermos os altos padrões pelos quais nós ficamos conhecidos e respeitados, nós mais uma vez podemos atrair cientistas da primeira categoria e acadêmicos. Contanto que a nossa Sociedade exista, céticos fanáticos não podem dizer não há fenômenos paranormais para estudar. Também, contanto que exista, pessoas inteligentes terão alguns recursos contra as reivindicações de auto-ilusão e os enganadores que abundam ao redor das margens da pesquisa psíquica.

Nossa sobrevivência não pode, no entanto, residir numa posição suposta de autoridade magistral. Nós podemos não ser os melhores juizes—nós quase certamente não somos —do lugar em que os próximos avanços em nosso campo virão. Portanto, ao manter nossos padrões nós devemos evitar quaisquer dogmas endurecidos que permitem somente idéias familiares encontrarem expressão. Uma mente aberta não é necessariamente uma vazia. Deixem-nos tentar procurar outra vez os fenômenos paranormais importantes — onde quer que eles possam estar. Investigações cuidadosas destes fenômenos trouxeram a esta Sociedade sua fama inicial; e tais investigações podem trazer a ela uma nova fama também.

Division of Personality Studies
Department of Behavioral Medicine and Psychiatry
Box 152, Health Sciences Center
University of Virginia Charlottesville,
Virginia 22908, USA

Referências

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[1] Esta lista pode não ser exaustiva de todo esses que confiantemente alegaram a prova, ou quase-prova, de percepção extra-sensorial. Eu não li todos os Discursos Presidenciais.
[2] O círculo de pessoas interessadas em pesquisa psíquica e elogiando o trabalho da Sociedade (mesmo que não estando ativas nela) pode ter sido maior entre 1880 e 1920 do que esta frase encerra. Penso que a boa vontade de tantos homens eminentes ao ficar brilhando na publicidade [to stand in the glaring publicity] da Presidência reflete uma aceitação mais ampla do trabalho da Sociedade por líderes intelectuais do que podemos achar entre seus sucessores hoje.
[3] Isto não são somente mais alguns dados para dissertações por estudantes graduados em antropologia. Há base para acreditar que a recuperação mais duradoura e mais rápida de doenças mentais severas em países pouco desenvolvidos (comparado com países Ocidentais) pode ser devido aos laços familiares mais fortes que existe nestes países (Waxier, 1974).
[4] Esta famosa frase é atribuída corretamente a John B. L. Soule. Horace Greeley pediu-a e usou-a, mas com o reconhecimento devido a Soule.
[5] Durante um ensaio deste discurso meus colegas rapidamente contaram-me que a direção para o Leste era demais estreita. Lembraram-me que a área do noroeste da América do Norte não é Leste, enquanto África e a América do Sul são do sul. Todo estas são regiões onde nós ainda podemos achar fenômenos paranormais maiores.
[6] Talvez eu deva adicionar a esta lista de secessões os céticos, que agora formaram um grupo próprio. A Sociedade para Pesquisa Psíquica sempre teve—desde Frank Podmore —um ou mais membros que podiam ser descritos como "céticos em residência ". No entanto, até agora como sei, estes membros, embora eles freqüentemente tenham duvidado de exemplos individuais, nunca adotaram a posição que fenômenos paranormais não podem ser possível; e nenhum jamais advogou parar a procura para mais e melhores evidência dos fenômenos.

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A Decadência dos Fenômenos Mediúnicos de Efeitos Físicos

Por Mauricio Mendonça, 2006

SUMÁRIO: Durante as duas últimas gerações de pesquisadores psíquicos não houveram pesquisas envolvendo médiuns e fenômenos mediúnicos de efeito físicos com a qualidade e intensidade registradas no final do século XIX e inicio do seculo XX. Algumas possíveis explicações tem sido levantadas por pesquisadores atuais, que vão da ocorrência de fraude no passado, até questões psico-sociais. Nesse artigo a apresentação de uma explicação espírita que leva em conta as caracteristicas especias do objeto em estudo, que associada com as demais pode esclarecer melhor essa questão.
Introdução

É notório que o auge das pesquisas envolvendo os fenômenos mediúnicos e os de efeitos físicos em particular (FMEF), situam-se nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX. As pesquisas com Florence Cook (William Crookes) e Daniel D. Home (vários pesquisadores) são bons exemplos dessa fase. Essas pesquisas podem ser consideradas de boa qualidade à época, apesar de que os recursos e controles de então provavelmente seriam hoje considerados insuficientes. Alguns críticos afirmam e com uma boa dose de razão que seria necessário replicar essas pesquisas na atualidade e que isso poderia ser suficiente para concluir positivamente sobre as teorias da sobrevivência e dos fenômenos Psi em geral, e se isso não acontece pode ser simplesmente porque esses fenômenos não são reais. Segundo eles, os resultados positivos obtidos poderiam resultar de fraudes por parte dos médiuns e isso associado ao despreparo dos pesquisadores. Argumentam que os controles de hoje são muito superiores, incluindo sempre a participação de mágicos e ilusionistas, além de que os recursos tecnológicos disponíveis serem mais adequados para impedir tentativas de fraudes.

Pensamento de Pesquisadores Modernos

Eu não vou argumentar aqui contra a hipótese de fraude, simplesmente eu vou assumir que os fenômenos ocorreram de acordo com as conclusões das pesquisas que foram melhor conduzidas, ou dizendo de outra forma, que os fenômenos nesses casos foram reais. Eu não estou afirmando que não houve fraude em tal demonstração, se possível, requeria um grande espaço e fugiria do foco desse artigo. O problema passa a ser então a responder a pergunta: "Por quê houve uma decadência na pesquisa dos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos?". Essa questão é sutilmente diferente de perguntar se os FMEF realmente desapareceram, nos moldes do que produziam os grandes médiuns como Eusapia Paladino e Douglas Home, ou simplesmente eles não são postos em análise ou os novos médiuns mantém-se anônimos por escolha deles próprios. O fato é que não surgiram médiuns com características e potencial desses citados nos últimos 50 anos ou mais. O mais provável é que não haja uma única resposta para essas questões, e sim uma combinação de razões. Na opinião de John Beloff (1) [Implicações filosóficas dos estudos parapsicológicos] houve uma onda ciclotímica muito parecido com o que acontece com movimentos artísticos que surgem e esmaecem com o passar do tempo, até acontecer uma outra 'onda'. Ele disse: "... quero assinalar é que como aparecem aqueles reflexos de criatividade que geralmente associamos com a atividade artística, a manifestação do fenômeno paranormal aparece também de maneira ciclotímica ... ". Apesar disso ele diz: "A dura verdade que temos que enfrentar é que a crua realidade do fenômeno Psi não foi verificada à satisfação de todos." referindo-se aos fenômenos Psi em geral.

O Professor Ian Stevenson (2) [Pensamentos Sobre o Declínio dos Macros Fenômenos Paranormais] entre outras explicações, considera que "O ceticismo derivado do materialismo filosófico pode inibir normalmente a ocorrência de fenômenos paranormais importantes. ... As fontes bem promissoras de fenômenos paranormais importantes hoje podem estar em países industrialmente pouco desenvolvidos, entre alguns indivíduos especialmente dotados, e em certas experiências raras...". Mas a frente ele diz: "os pesquisadores psíquicos das últimas duas gerações tinham menos receio dos macros fenômenos do que da desaprovação de colegas em outros ramos de ciência. Isto levou muitos deles a imitar psicólogos, que, em seus laboratórios, tentavam imitar os físicos e os químicos nos seus." (Stevenson, 1987). e depois continua: "Além do mais, a pobreza de cientistas conhecidos em tomar interesse nestes fenômenos significa que as pessoas tendo experiências paranormais possuem pouca informação sobre pessoas profissionais qualificadas a quem eles possam descrever o que experimentam. Também, pessoas que têm ou que pensam que podem ter sensibilidades especiais ou capacidades mediúnicas não têm quase ninguém qualificado na pesquisa psíquica a quem eles possam se voltar para estímulo e direção.". Entretanto ele reconhece que " ... Também, algum declínio no interesse dos investigadores de agora pode resultar de uma queda na quantidade e qualidade dos fenômenos disponíveis para estudo. ... Posso garantir a vocês que as reivindicações dos macro fenômenos que permitem investigação não cessaram por completo, porque nossa unidade na Universidade de Virginia continua a ser notificada deles de vez em quando."

O Efeito “Vontade” do Objeto de Estudo

De minha parte, que aceito a sobrevivência da alma como hipótese de trabalho, não abdicarei de propor uma explicação um pouco mais heterodoxa e nem reivindico que ela seja inédita. Não significa que essa explicação substitua todas as outras citadas anteriores, mas mesmo que as complementa. Acredito que houve realmente uma significativa diminuição na ocorrência dos FMEF, apesar de outros fatores também influenciem o decréscimo da divulgação desses fenômenos e também das pesquisas relacionadas. Dessa forma essa onda ciclotímica sugerida por Beloff teria sido produzida intencionalmente por entidades desencarnadas (espíritos) interessados na produção daqueles fenômenos no período citado, como parte de uma estratégia mais ampla visando o desenvolvimento moral e tecnológico da humanidade, e especialmente moral. Uma boa parcela de críticos e pesquisadores psíquicos ainda não compreendeu ou não aceitou o fato que o seu objeto de discursão, tem características que outros objetos de estudo não possui, que nesse caso são vontade e intencionalidade. Outros fatores como os citados por Stevenson podem ter contribuído, mas em um grau menor. A ausência de pesquisas então, seria resultado da escassez de médiuns para serem estudados, isso tanto porque diminuiu a ocorrência dos fenômeno quanto pelos outros fatores já citados.

E por que os 'espíritos' não continuaram produzindo os fenômenos da mesma intensidade do período citado, já que aparentemente o objetivo era demonstrar a sua própria existência?

Kardec (1857) deixou claro em vários momentos que um dos principais objetivos do surgimento do espiritismo era contrapor-se ao materialismo que estavam em franca ascensão naquela época. Parecia que o positivismo lógico em breve responderia a todas as questões sobre o universo, não deixando espaço para nenhum tipo de superstição (incluindo a religião) na mente das pessoas mais cultas. O movimento espiritualista surgiu fortemente com muitos fenômenos e poderosos médiuns, inclusive de médiuns que provocavam os fenômenos analisados aqui. Cientistas e estudiosos renomados convenceram-se da realidade dos fenômenos: William Crookes, Camile Flamarion, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, etc.. Nesse contexto uma conclusão parecia inevitável, o fenômeno era real. Entretanto a interpretação desses fenômenos foram motivos de intensos debates, muitos atribuíam à uma força psíquica do próprio médium, portanto sem a necessidade de um agente desencarnado. Essa idéia é basicamente igual ao que alguns pesquisadores atuais dos fenômenos Parapsicológicos chamam de super-Psi. Na minha avaliação e pesquisadores como os citados acima e ainda Alan Gauld e S. Braude mais recentes a explicação espiritualista era mais consistente com o resultados das pesquisas, e no entanto não conseguiu convencer a maioria dos pesquisadores, e assim o impasse permaneceu por algumas décadas. Notemos que nenhuma das explicações enquadrava-se no pensamento materialista, pois de alguma forma havia algo imaterial agindo naqueles fenômenos.

Enquanto isso, as ciências naturais davam saltos cada vez maiores, isso induzia os pesquisadores psíquicos a usarem a mesma metodologia de trabalho. Esse foi o caminho seguido por J. B. Rhine (1934) na tentativa de explicar o que ele chamou de ESP (Extra Sensorial Perception) mudando o foco das pesquisas para uma perspectiva estatística e laboratorial, criando assim uma "nova" ciência - a Parapsicologia. O sucesso inicial dos resultados de Rhine a respeito da telepatia e da clarividência, pareciam apontar para a solução da questão pendente das décadas passadas. Depois, alguns pesquisadores exageraram ao usar os resultados estatísticos da parapsicologia para declarar que todos os fenômenos autênticos espiritualistas eram na realidade manifestações parapsicológica do inconsciente (René Sudre, e outros). Nesse ponto os FMEF cessaram ou ficaram ocultos. Na minha opinião os 'espíritos' nos deixaram fazer o que para nós parecia ser o melhor caminho, ou seja, tentaríamos usar os métodos analíticos e estatísticos em laboratório; e deixaram em beneficio do nosso próprio aprendizado, suponho.

Após meio século de pesquisas, a parapsicologia não havia ainda conseguido o seu intento, e apesar do aperfeiçoamento dos experimentos (ver experimentos Ganzfeld) o resultado estatístico ainda não foi capaz de convencer os seus críticos e nem a maioria dos pensadores acadêmicos da realidade dos fenômenos Psi. Stevenson (1987) considerou que "A ênfase desequilibrada em experiências de laboratório que agora prevaleceu entre duas gerações de pesquisadores psíquicos necessita correção de rumo, ...". Não penso que os experimentos estatísticos laboratoriais devam ser abandonados, mas me parece claro que os macros fenômenos, por serem auto evidentes, devem voltar a ocupar o lugar que já possuíram dentro da pesquisa psíquica. Assumir definitivamente, mesmo que como hipótese de trabalho, que os esforços devem ser de ambos os lados, dos pesquisadores humanos e dos pesquisadores desencarnados.

Um ótimo exemplo, que pode estar encabeçando uma novo ciclo de pesquisas com macros fenômenos - FMEF, foram as pesquisas que culminaram no pouco divulgado Scole Report (Soloman, Grant & Jane) (1999). The Scole Experiment. Scientific Evidence for Life After Death ; Londres: Judy Piatkus, 1999). Nesse relatório membros da SPR de Londres pesquisaram por dois anos e publicaram um detalhado e completo relatório com fenômenos comparáveis aos obtidos com os grandes médiuns de efeitos físicos no início do século XX. O Brasil, apesar do alto potencial em relação a mentalidade favorável da população em geral, é um péssimo exemplo em se tratando de pesquisas cientificas nessa área. Em particular os espíritas, que por razões diversas que não cabe analisar aqui, não incentivaram de forma consistente as pesquisas, seja não produzindo pesquisas, seja por não elaborar os relatórios necessários de eventuais experimentos. Espero que os bons ventos dessa nova onda cheque rapidamente em terras tupiniquins.

Mauricio MendonçaCoordenador do Instituto de Pesquisa de Ciência Espírita do Ceara - IPCE mauricio.jrm@gmail.com

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